O Apoio Velado e o Peso das Três Máquinas Públicas
- porPor Alcina Reis
- 23 de Outubro / 2024
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| Créditos: Flickr
Caro eleitor pra que se esclareça de uma vez, se é que ainda tem alguém com dúvidas, vou te contar como tudo começou:
Era fevereiro deste ano 2024, quando Vander Loubet, Deputado Federal pelo PT, deu uma declaração ao Jornal da Hora que resultou no quadro político de hoje. Com sua fala direta, Loubet expôs o cenário eleitoral que estava por vir.
“Rose Modesto não pode disputar sem o apoio de uma das máquinas”, sentenciou.
Naquela tarde, enquanto Vander fechava sua fala, talvez ele soubesse mais do que deixou escapar…..
O Governo do Estado já tinha Beto Pereira, o município tinha Adriane Lopes, e lá em Brasília, quem estendia a mão era ninguém menos que Lula. Para Vander, caberia à própria Rose decidir se procuraria o PT, afinal, o partido já tinha suas bandeiras bem definidas para a agricultura e a educação.
Rose, por sua vez, seguia o seu caminho na Sudeco com cautela. Mato Grosso do Sul, todos sabem, é terra de conservadores, e uma aliança com Lula e o PT poderia ser um tiro no pé... ou um tiro certeiro, dependendo de como jogasse as peças.
“A Rose Modesto ainda não nos procurou (em fevereiro/2024). Mas mas na minha opinião ela precisa de uma das máquinas com apoio para respaldar a política para ela. Nós temos a Camila, mas ela [Rose Modesto] foi nomeada para Sudeco que é um dos maiores cargos e está fazendo um bom trabalho. Se ela quiser fazer uma aliança conosco, ela precisa de um programa de governo e precisa querer. Se ela nos procurar, nós temos que debater”, ele concluiu. O tempo passou e, veja só, quem diria que Rose teria justamente o apoio de Lula, o governo federal como seu “padrinho político”.

| Créditos: Foto: Evelyn Mendonça
Agora, aqui estamos, com Rose amparada pela maior "máquina" de todas, com Lula estendendo a mão.
Indo um pouco antes em abril de 2023, quem não se lembra dessa: Quando Rose declarou seu apoio ao Governo Lula e teve uma briga ferrenha com Soraya Thronicke o que acirrou o racha no União Brasil em Mato Grosso do Sul. Nessa época foi exatamente quando esse apoio petista iniciou entre Lula e Rose a ex-tucana que já estava de olho no cargo de superintendente da Sudeco (Superintendência Regional do Centro-Oeste), conforme amplamente divulgado e pode ser conferido aqui, caso alguém não se lembre.
Campo Grande e todo MS, historicamente conservador, observava em silêncio.
Manter o apoio de Lula longe dos holofotes, evitar que os eleitores mais tradicionais se incomodassem. Mas, como tudo na política, segredos não duram muito.
O apoio de Lula está claro!
Aparentemente, Lula se tornou o "padrinho político" da sua “modesta” campanha. E assim, em Mato Grosso do Sul, território conhecido pela força do conservadorismo, os bastidores revelam estratégias silenciosas. O apoio do PT segue discreto, quase à espreita, longe dos palanques. Mas não é só o PT. Figuras como o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, também estão nessa dança política velada.
A pergunta que ecoa nas ruas é: por que esconder?
Democracia é assim.
Não há vergonha em se aliar, em admitir apoios, em construir pontes entre ideologias. A vergonha, se há, está em negar ou esconder a mão que guia uma campanha.
Adriane Lopes, prefeita e candidata à reeleição, soube muito bem disso. Desde o início, firmou compromisso com Tereza Cristina, senadora e líder da direita conservadora. No segundo turno, somou-se a isso o apoio de Bolsonaro, do governador Eduardo Riedel e de todo o grupo conservador.
Agora, o fim desse embate entre a direita de Adriane e a esquerda de Rose está a apenas quatro dias de distância. Quando as urnas se abrirem, saberemos se Mato Grosso do Sul ainda mantém seu conservadorismo ou se inclinou para a esquerda.
E assim, o jogo continua.
Por Alcina Reis

Jornalista Alcina Reis | Créditos: Conteúdo MS






