No 6x1, Flávio fez o L

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Na política, tem hora para tudo: para criticar, para recuar, para mudar de ideia e, principalmente, para ouvir o povo. Flávio Bolsonaro (PL) parece ter entendido que, na disputa eleitoral, subir no salto alto antes da hora pode custar caro nas urnas.

Depois de criticar a proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1, o senador mudou de posição e anunciou apoio à PEC. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), ironizou a situação ao afirmar que Lula convenceu Flávio a “fazer o L”. A proposta foi aprovada pelo Senado por 75 votos a 1, com previsão de reduzir a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e garantir dois dias de descanso remunerado.

Eis que o discurso eleitoral encontra a realidade: quando uma pauta ganha força nas ruas, nas redes e na vida dos trabalhadores, nenhum candidato pode se dar ao luxo de ignorá-la.

Se Flávio mudou de posição para não perder votos, isso é uma questão que cada eleitor pode avaliar. O que realmente importa é que a população seja beneficiada.

Se a motivação foi eleitoral ou não, o resultado positivo para o povo é o que deve estar em primeiro lugar.

Essa atitude deveria ser adotada por qualquer político, independentemente de partido ou ideologia. Governar e legislar não são competições de ego, nem disputas para saber quem tem o discurso mais bonito. O compromisso precisa ser com aquilo que melhora a vida das pessoas.

Afinal, trabalhador não paga conta com orgulho partidário, não descansa com promessa de campanha e não alimenta a família com pose de candidato. Precisa de medidas concretas que façam diferença no cotidiano.

Flávio fez o L na pauta da 6x1. Agora, é hora de correr atrás dos votos sem subir no salto. Na política, a soberba pode até render aplausos entre aliados, mas quem decide o futuro nas urnas é o eleitor.

E fica a lição: quando o interesse da população entra em campo, o político precisa deixar a vaidade no banco de reservas.

No fim das contas, pouco importa quem levou a assinatura política da vitória. Se o trabalhador ganhar mais tempo para viver, descansar e ficar com a família, quem saiu ganhando foi o povo.

Por Alcina Reis

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