Mulheres atuam em diferentes áreas da perícia na Polícia Científica de Mato Grosso do Sul
- porRedação
- 07 de Março / 2026
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Na Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, mulheres atuam em diferentes etapas da atividade pericial, desde o atendimento em locais de crime até análises laboratoriais, exames médico-legais e identificação papiloscópica. Atualmente, elas representam cerca de 40% do efetivo da instituição.
Antes mesmo de um exame médico ser realizado ou de uma identificação ser confirmada, o trabalho técnico começa no local do fato. É ali que vestígios são identificados, registrados e preservados para subsidiar as investigações e orientar exames que serão realizados posteriormente.
O trabalho no local de crime exige atenção aos detalhes e cuidado na preservação dos vestígios. A perita criminal Karla Gonçalves da Cruz, que ingressou na instituição em 2014 e atualmente atua no Núcleo de Perícias Externas, no setor de Crimes Contra a Vida, em Campo Grande, explica que a primeira preocupação da equipe é garantir que a área onde estão os vestígios esteja devidamente isolada.
“Minha primeira preocupação é identificar a área onde se encontram os vestígios e verificar se essa região está devidamente isolada e preservada. Isso é fundamental para garantir que os elementos presentes no local sejam mantidos íntegros.”
Com mais de 11 anos de atuação na perícia criminal, Karla já trabalhou no Núcleo Regional de Criminalística de Corumbá e no Departamento de Apoio às Unidades Regionais antes de integrar a equipe responsável pelos atendimentos na Capital.
Segundo ela, nem sempre é possível identificar de imediato quais elementos terão relevância para a investigação, o que exige um levantamento minucioso de tudo o que está presente na cena.
“Em muitos casos há uma grande quantidade de elementos no local e naquele momento ainda não é possível identificar completamente o que é relevante. Por isso é essencial realizar um levantamento detalhado e minucioso”, explicou.
Parte do material coletado em locais de crime segue posteriormente para análises especializadas em diferentes áreas da perícia, como DNA, documentoscopia e balística, realizadas em laboratórios da Polícia Científica.
Na medicina legal, os exames contribuem para esclarecer circunstâncias de diferentes ocorrências. A perita médica-legista Taís Cristina Zottis Barsaglini, que atua há três anos no Instituto de Medicina e Odontologia Legal e na Casa da Mulher Brasileira, destaca a importância dessa área na produção da prova técnica.
“O exame médico-legal traz clareza e materialidade sobre os fatos. Ele pode documentar casos de violência física ou sexual e também esclarecer a causa de mortes violentas, como acidentes de trânsito ou homicídios.”
As conclusões são registradas em laudos técnicos elaborados a partir de evidências científicas.
“Um laudo tecnicamente fundamentado reúne todas as conclusões com base em evidências e respeitando o passo a passo pericial para que seja confiável”, afirmou.
Mesmo diante de situações difíceis, ela explica que o foco do trabalho permanece no rigor técnico.
“Quando comecei a trabalhar nessa área percebi que é impossível não se sentir incomodada com algumas situações de violência e vulnerabilidade humana. Mas tento me manter focada nas evidências e nos fatos concretos.”
A papiloscopia também integra a produção da prova técnica. A perita papiloscopista Juliana Cardozo da Silva, que ingressou na instituição em 2015 e já atuou em plantões de local de crime em Dourados e em Campo Grande, explica que o trabalho vai além da emissão de documentos de identidade.
“Ele garante a existência civil da pessoa, assegura direitos e a situa perante a sociedade. É por meio dele que alguém passa a ter nome, registro, acesso a serviços e reconhecimento legal.”
No contexto criminal, a atuação também inclui o levantamento de impressões digitais em locais de crime, etapa que pode contribuir para a identificação de pessoas envolvidas nas ocorrências.
“Confirmar uma identidade pode inocentar alguém, esclarecer um crime ou permitir que uma família encerre um ciclo de dor. Por trás de cada impressão digital existe uma história”, afirmou.
Segundo Juliana, a análise exige atenção rigorosa aos detalhes. Muitas vezes, os peritos trabalham com fragmentos muito pequenos de impressões digitais que precisam ser comparados com precisão.
“Observamos linhas, pontos característicos e pequenas bifurcações que são únicas em cada pessoa. É um trabalho que não permite pressa.”
Parte da atividade pericial também ocorre nos bastidores. A agente de Polícia Científica Romilda Fleitas, que atua há dez anos nos exames necroscópicos, acompanha diferentes etapas do procedimento.
“Quando o corpo chega aqui, fazemos toda a recepção, conferimos a requisição, a cadeia de custódia e verificamos se houve atendimento anterior em unidade de saúde ou pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Depois auxiliamos o médico-legista durante o exame e também ficamos responsáveis pela liberação do corpo para a funerária, sempre com autorização da família”, relatou.
Segundo ela, a rotina também envolve o contato com familiares em momentos delicados.
“Às vezes a família chega aqui em uma situação muito difícil e precisa entender que alguns exames são necessários. É um trabalho que exige responsabilidade e respeito com cada caso que chega até nós.”
Romilda afirma que cada função dentro do instituto contribui para o resultado final do trabalho técnico.
“Eu me vejo como uma peça dentro de uma engrenagem. Cada um faz a sua parte para que tudo funcione.”
Do levantamento de vestígios no local de crime às análises laboratoriais, passando pela identificação e pelos exames médico-legais, essas profissionais participam de diferentes etapas da atividade pericial que contribuem para o esclarecimento de fatos e para a produção de provas utilizadas pela Justiça.






