“‘Muita água vai rolar’ — e já tem gente se afogando antes da convenção”

| Créditos: Reprodução/Instagram


Enquanto o cidadão comum se preocupa com o preço do feijão, a política sul-maton-grossense vive seu próprio reality show de bastidores. E o enredo, digno de um roteiro de House of Cards no Pantanal, promete uma temporada eletrizante. O que se esperava ser uma coordenação coesa do bloco governista se transformou em um cenário político turbulento, onde o principal rival do passado, Capitão Contar, é o convidado de honra, mas com o risco de ser transformado em um ator coadjuvante inesperado no decorrer da trama.

O ponto de inflexão, como frequentemente ocorre, partiu de Brasília. O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, executou um movimento estratégico de alto impacto ao ungir Contar como pré-candidato ao Senado, pegando de surpresa o próprio presidente estadual do partido, o ex-governador Reinaldo Azambuja.

A reação de Reinaldo, um mestre na arte da realpolitik sob verniz de serenidade, foi previsível e cirúrgica: "muita água vai rolar" até a convenção de julho. Tradução livre? "Segurem a emoção, o acordo final ainda não foi selado." Reinaldo rapidamente tratou de alinhar a narrativa, dizendo que "projetos coletivos" (reeleição de Riedel e o projeto bolsonarista nacional) estão acima de projetos pessoais. Uma frase que soa politicamente conveniente quando se trata de acomodar um ex-adversário que disputou o segundo turno contra o próprio grupo.

Mas o jogo ficou ainda mais interessante quando o secretário do atual governador Eduardo Riedel, Jaime Verruck (PSD), surgiu no cenário. Não satisfeito em apenas disputar a Câmara Federal, Verruck anunciou que também almeja o Senado e se intitula o candidato de Riedel para a segunda vaga. Ou seja, o chefe do Executivo, que teoricamente precisa do apoio do PL de Contar, agora tem seu próprio representante na disputa, adicionando uma complicação significativa ao plano de Contar, o candidato do "patrão nacional" Valdemar. A disputa, que era Contar versus o grupo, virou Contar versus o Secretário-que-se-diz-o-escolhido do grupo.

Enquanto isso, o senador Nelsinho Trad (PSD), um dos nomes fortes na disputa, mantém a calma de quem já domina a cena. Ele também recorre à citação fluvial — mais "água para rolar" — mas com um olhar mais perspicaz: aposta que as definições em Brasília serão "imprescindíveis e decisivas" para o xadrez local. O toque de intriga aqui? Seu próprio calcanhar de Aquiles é local: a possibilidade de seu irmão, Fábio Trad (PT), ser candidato a governador, dificultando a aliança de Nelsinho com o próprio grupo governista.

A grande questão que paira no ar, com um delicioso aroma de curiosidade, é: quem sairá com a vitória nesse balé de egos? Capitão Contar, para ter sua vaga no PL, teve que aceitar uma "aliança no sigilo," evitando fotos com Reinaldo e Riedel. Isso mostra que o risco é mútuo: Contar teme que seu eleitorado não compreenda a aproximação com a turma que ele atacou, e Reinaldo teme que Contar não traga votos, apenas problemas de digestão política.

No final, entre a promessa de Valdemar, a negação calculada de Reinaldo, a autoproclamação de Verruck e a aposta nacional de Nelsinho, a única certeza é que Mato Grosso do Sul terá, até a convenção, uma grande movimentação de políticos flutuando em suas águas. Se é a água que vai rolar ou o caldo que vai entornar, só o tempo dirá.


Por Alcina Reis

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