MPMS defende manutenção da prisão de pai e filho investigados na Operação Gutenberg
- porRedação
- 30 de Setembro / 2026
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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) se manifestou contrário ao pedido de liberdade apresentado pelos empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, pai e filho que respondem a processo relacionado à Operação Gutenberg. Os dois estão presos preventivamente desde 7 de julho.
De acordo com o promotor de Justiça Jorge Ferreiro Neto Júnior, não teria surgido nenhum fato novo que justificasse a revogação das prisões. Paulo Rogério e Douglas são apontados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) como beneficiários de aproximadamente R$ 826,3 mil provenientes da Editora Avante, no período investigado.
Segundo a acusação, Paulo Rogério, empresário ligado à Atalaia Veículos, teria disponibilizado dinheiro em espécie em operações destinadas a viabilizar repasses bancários. A investigação sustenta que esse mecanismo teria sido utilizado para ocultar e pulverizar recursos, dificultando a identificação da origem dos valores e o monitoramento pelos órgãos de controle financeiro.
Paulo Rogério também é acusado de atuar na intermediação de reuniões relacionadas à negociação de vendas diretas de kits pedagógicos para secretarias municipais e estaduais.
Ao analisar o pedido de liberdade, o MPMS argumentou ainda que a soltura poderia representar riscos à investigação, entre eles eventual interferência sobre testemunhas, destruição de provas ou fuga. O Ministério Público citou também a localização de Mato Grosso do Sul, próximo às fronteiras com Paraguai e Bolívia, como um dos fatores considerados na avaliação do risco de evasão.
Para o promotor, a prisão preventiva permanece necessária diante da dimensão dos valores investigados, da suspeita de utilização de mecanismos para ocultação patrimonial e da divisão de funções atribuída aos integrantes do grupo investigado.
O MPMS também afirmou que a organização teria capacidade financeira, articulação com agentes públicos e utilização de recursos tecnológicos para dificultar a identificação das comunicações. Na avaliação apresentada à Justiça, medidas cautelares alternativas à prisão não seriam suficientes, neste momento, para interromper as atividades investigadas.
A Operação Gutenberg apura um suposto esquema envolvendo contratos para fornecimento de livros paradidáticos e movimentações financeiras consideradas suspeitas pelo Gaeco. A investigação teve início em 2023 e posteriormente resultou em denúncia envolvendo diversos investigados.






