“MP-MS Será Revendedora da Apple?”
- porAlcina Reis
- 23 de Agosto / 2025
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imagem ilustrativa | Créditos: Foto: Reprodução/B4Connect
"MP-MS Será Revendedora da Apple?"
Há um cheiro no ar. Um odor pesado, que mistura o mofo do tempo com a podridão do descaso. Não é um cheiro que vem das ruas, mas dos gabinetes refrigerados dos palácios da administração pública. Um cheiro que a população sente, mas não consegue localizar, apenas sofre suas consequências.
A fonte mais recente e nauseante vem do Ministério Público do Mato Grosso do Sul. A instituição que carrega o nome de "pública" e tem na sua essência o dever de fiscalizar o dinheiro que é de todos, decidiu dar uma aula prática de como esbanjá-lo.
Uma licitação de R$ 16 milhões para 750 iPhones de última geração. A matemática é elementar: são setecentos e cinquenta aparelhos para um quadro que não tem setecentos e cinquenta promotores. Sobra iPhone. Sobra desfaçatez. Falta vergonha!
Diante de um contrato milionário de cinco anos, em plena crise, com a escolha inexplicável por um modelo específico e de luxo, a pergunta que se impõe é direta: o MP-MS está se reinventando para virar uma revendedora autorizada da Apple?
O comodato, nesse contexto, parece menos um empréstimo e mais um plano de negócios financiado pelo contribuinte. Os princípios constitucionais da moralidade e eficiência foram trocados pela lógica do:
"quero porque quero e posso porque posso".
Enquanto isso, numa sintonia fúnebre perfeita, os desembargadores afastados por escândalos no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) começam a retornar silenciosamente aos seus tronos.
É um balé da impunidade. Afastam-se em meio a holofotes e retornam pela porta dos fundos quando a poeira – ou a falta de memória – assenta. Os processos se arrastam, as explicações são evasivas, e a situação nunca foi esclarecida para a população.
São duas faces da mesma moeda. De um lado, a farra com o dinheiro público, a compra do supérfluo e do injustificável. Do outro, a perpetuidade da impunidade, a garantia de que os cargos e privilégios são eternos.
Se o MP vira revendedora de smartphones, o TCE se especializa em distribuir salvo-condutos?
O advogado Ricardo Feltrin fez mais do que uma denúncia ao CNMP; ele acionou um detector de fumaça em um ambiente que já está em chamas. A questão agora é saber se o CNMP terá a coragem de apagar esse incêndio de ilegalidade ou se será conivente com o espetáculo de cinismo.
O que essas histórias nos contam é que a "detetização" urgente não é mais uma metáfora, mas uma necessidade de saúde pública. É preciso abrir as janelas, expor a sujeira e deixar o ar limpo circular. Enquanto os fiscais do dinheiro agem como garotos propagandistas de marca luxuosa e os julgadores retornam aos cargos sem dar satisfações, o cheiro só vai piorar.
E um dia, talvez, ele se torne tão insuportável que não será mais possível ignorá-lo.
Por Alcina Reis

Jornalista Alcina Reis | Créditos: Arquivo pessoal






