Militares com ligação em MS são interrogados no STF por tentativa de golpe


Dois militares com atuação prévia em Mato Grosso do Sul estão entre os réus interrogados a partir de hoje (28) no Supremo Tribunal Federal (STF) no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Eles integram o "núcleo 3", responsável pelas "ações de campo", e serão os últimos a serem ouvidos.

Este grupo é composto por dez militares de alta patente, acusados de articular ataques ao sistema eleitoral e de planejar ações para desestabilizar as instituições, incluindo um suposto plano de assassinato de autoridades que se opusessem ao golpe.

Entre os interrogados estão o coronel Bernardo Romão Corrêa Netto, que comandou o "Regimento Antônio João" em Bela Vista, e o tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavalieri de Medeiros, lotado no Comando Militar do Oeste (CMO) em Campo Grande.

Os demais réus do núcleo são os coronéis Fabrício Moreira de Bastos e Márcio Nunes de Resende Jr., os tenentes-coronéis Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira, Rodrigo Bezerra de Azevedo e Ronald Ferreira de Araújo Junior, o agente da Polícia Federal Wladimir Matos Soares e o general da reserva Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira.

Os interrogatórios ocorrem após a fase de oitiva de testemunhas de defesa e acusação, finalizada na última quarta-feira (23). As audiências serão realizadas por videoconferência, em ordem alfabética, e conduzidas por juízes auxiliares do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. A transmissão será ao vivo pelo canal oficial do STF no YouTube.

Os réus do Núcleo 3 enfrentam acusações de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de bem tombado.

Concluídos os interrogatórios, se não houver novas diligências, a fase de instrução será encerrada. Em seguida, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentará suas alegações finais, seguidas pelas manifestações das defesas. Após essa etapa, o STF analisará e julgará o caso. Eventuais recursos serão restritos à própria instância do Supremo.

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