Médicos sacaram R$ 759 mil e depósitos fracionados são investigados em esquema na Saúde de Nioaque

| Créditos: Arquivo/Reprodução


Investigações sobre suspeitas de desvio de recursos públicos da saúde em Nioaque, Mato Grosso do Sul, identificaram saques de R$ 759 mil em dinheiro realizados por dois médicos e uma gerente de clínica. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), as movimentações estariam relacionadas a um esquema de pagamento de propina e ocultação da origem dos valores.

Os médicos Bianca Fernandes Leite Aguilar e Robson Roosevelt Ferreira Aguilar, além da gerente Tatiane Barbosa de Souza Grubert, são apontados na investigação por movimentações financeiras consideradas suspeitas. De acordo com os dados apurados, parte do dinheiro recebido pela Prontomed Clínica Médica, contratada pela Prefeitura de Nioaque, era transferida para integrantes do grupo, que realizavam saques em espécie.

Entre janeiro de 2019 e abril de 2025, Bianca Aguilar efetuou 84 saques, que somaram R$ 388,6 mil. Já Tatiane Grubert realizou 31 retiradas, totalizando R$ 271 mil.

O Ministério Público identificou movimentações que coincidiram com pagamentos feitos pelo município à clínica. Em fevereiro de 2023, por exemplo, após repasses da prefeitura, a empresa transferiu R$ 30 mil para Bianca, que sacou o valor no mesmo dia.

Em fevereiro de 2024, depois de o município pagar R$ 176,3 mil à clínica, a empresa transferiu R$ 130 mil para a sócia. Seis dias depois, ela retirou R$ 120 mil em dinheiro. Em dezembro daquele ano, outro pagamento municipal foi seguido por uma transferência de R$ 100 mil, também sacada em espécie.

Depósitos levantaram suspeitas

As apurações apontam que Vagner Alves Ribeiro Guimarães teria recebido 487 depósitos em dinheiro, entre 2019 e 2025, que totalizaram R$ 936.239.

Segundo os promotores, os depósitos eram feitos em valores menores e, em alguns casos, várias operações ocorriam no mesmo dia. A prática, conhecida como smurfing, consiste em dividir quantias maiores em diversas transações para dificultar a identificação da origem dos recursos.

O levantamento financeiro identificou aumento dos depósitos ao longo dos anos, especialmente após a contratação da Prontomed pela Prefeitura de Nioaque. Em 2021, os valores somaram R$ 27,4 mil; em 2022, chegaram a R$ 104,3 mil; e, em 2023, alcançaram R$ 268,6 mil.

Em outro episódio descrito na investigação, após Bianca sacar R$ 100 mil em 19 de dezembro de 2024, Vagner recebeu 66 depósitos, que totalizaram R$ 121 mil, entre os dias 6 e 15 de janeiro de 2025.

Justiça recebeu denúncia

O juiz Flávio Renato Almeida Reyes, da Vara Única de Nioaque, recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra a ex-secretária municipal de Saúde Márcia Cristina Missioneira Jara, os médicos Bianca e Robson Aguilar e a gerente Tatiane Grubert.

Os acusados respondem por suspeitas de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, peculato, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Conforme a acusação, o suposto esquema teria provocado um prejuízo de R$ 4,246 milhões aos cofres públicos municipais.

O caso faz parte da Operação Auditus, que investiga irregularidades em contratos de serviços médicos e exames pagos pela prefeitura. As suspeitas incluem cobranças por procedimentos que, segundo as apurações, não teriam sido realizados.

As acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo judicial.

Compartilhe: