Mauro Vieira diz que declarações de Rubio são “inaceitáveis e ofensivas”

| Créditos: TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO


O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as declarações de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, como "inaceitáveis" e "ofensivas". O chefe do Itamaraty ainda defendeu que as investigações dos EUA para a imposição de tarifas são unilaterais e não possuem justificativa.

Vieira disse que o posicionamento de Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o presidente de um país amigo. As falas do chefe do Itamaraty ocorreram em declaração à imprensa na tarde desta quinta-feira (16).

"Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações. Cito, como exemplo, demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros", pontuou o ministro.

Mais cedo, após o anúncio das tarifas de 25%, Rubio disse que o governo brasileiro é culpado pelas taxas impostas: "Não haja confusão sobre o motivo: o Presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé".

O Itamaraty, por sua vez, garantiu que o Brasil teve desde março do ano passado mais de 30 reuniões com os Estados Unidos, incluindo agendas com Marco Rubio e Jamieson Greer, chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca).

Vieira defende Pix

Nesta quinta-feira, Mauro Vieira defendeu que não houve racionalidade na aplicação de tarifas por parte dos Estados Unidos contra produtos brasileiros e disse que as crtíticas dos norte-americanos em relação ao Pix são "descabidas".

O tom usado pelo ministro em relação ao desmatamento citado pelos EUA foi o mesmo. Mauro Vieira usou a expressão "absurdas" e declarou que o brasil diminuiu a área desmatada.

Como mostrado pela CNN, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável" na relação entre os dois países. Em nota, o Planalto também anunciou que usará instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade contra as novas cobranças impostas por Washington.

Declaração de Rubio

Os Estados Unidos oficializaram na noite de quarta-feira (15) a imposição da taxa sobre uma série de produtos brasileiros. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), comandado pelo embaixador Jamieson Greer, por determinação do presidente Donald Trump, e encerra uma investigação comercial que durou cerca de um ano.

Após o anúncio, em publicação no X, Rubio fez críticas ao governo brasileiro. "Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso", escreveu.

Já o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, declarou que "as extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a prosseguir com as negociações com o Brasil para promover as mudanças há muito necessárias nos problemas identificados nesta investigação".

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