Mato Grosso do Sul registra média de 59 casos diários de violência doméstica em 2026

Nos primeiros 40 dias de 2026, 2.343 mulheres foram vítimas de violência doméstica em Mato Grosso do Sul, o que representa uma média alarmante de cerca de 59 casos por dia. Os dados são do Monitor da Violência contra a Mulher e revelam que a maioria das vítimas tem entre 30 e 59 anos, sendo as agressões cometidas, principalmente, dentro de residências.

As estatísticas apontam ainda que, entre 1º de janeiro e 9 de fevereiro, 342 ocorrências foram praticadas por cônjuges, evidenciando que, em grande parte dos casos, o agressor é alguém em quem a vítima confiava para compartilhar a vida. A violência, portanto, acontece majoritariamente no ambiente familiar e íntimo.

Campo Grande lidera registros

Com 787 casos registrados até 9 de fevereiro, Campo Grande lidera o ranking estadual de violência doméstica. Somente no mês de fevereiro, a Capital contabilizou 168 mulheres violentadas. Entre os casos, está o de uma mulher de 43 anos, agredida e ameaçada de morte pelo próprio filho na noite da última sexta-feira (6).

Outros municípios também apresentam números expressivos. Dourados aparece em segundo lugar, com 190 registros, seguido por Três Lagoas (118) e Corumbá (104).

Três feminicídios em 40 dias

Por trás dos números estão histórias de dor, medo e vidas interrompidas. Em pouco mais de um mês, Mato Grosso do Sul já registrou três feminicídios em 2026.

O caso mais recente ocorreu em Selvíria, onde Janete Feles Valoes foi assassinada. O principal suspeito é o marido, Alípio Drum Alves, com quem a vítima foi casada por mais de 30 anos.

O segundo feminicídio aconteceu em 24 de janeiro, em Corumbá, quando Antônio Lima de Ohara matou a ex-companheira Rosana Candia Ohara, a pauladas no rosto.

Já o primeiro feminicídio do ano vitimou Josefa dos Santos, em 16 de janeiro, na região de Damacuê, zona rural de Bela Vista. Após cometer o crime, o marido tirou a própria vida.

Onde buscar ajuda em Mato Grosso do Sul

Em Campo Grande, mulheres vítimas de violência podem procurar a Casa da Mulher Brasileira, localizada na Rua Brasília, s/n, Jardim Imá, com atendimento 24 horas, inclusive aos fins de semana.

No local funcionam, de forma integrada:

Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam)

Defensoria Pública

Ministério Público

Vara Judicial de Medidas Protetivas

Atendimento social e psicológico

Alojamento temporário;

Brinquedoteca para crianças

Patrulha Maria da Penha

Guarda Municipal.

Também é possível acionar ajuda pelo telefone 153. Denunciar é um passo fundamental para romper o ciclo da violência e salvar vidas.

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