Mato Grosso do Sul registra mais de 52 mil atendimentos em práticas integrativas no SUS entre 2024 e 2025

Mato Grosso do Sul contabilizou mais de 52 mil atendimentos em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) na rede pública entre janeiro de 2024 e novembro de 2025. Entre os serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão práticas como acupuntura, auriculoterapia, aromaterapia e outras terapias integrativas.

Os dados são da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde e foram extraídos do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), plataforma nacional que monitora atendimentos na Atenção Primária.

No período analisado, foram registrados 20.831 procedimentos entre janeiro e novembro de 2024 e 31.874 atendimentos no mesmo intervalo de 2025, totalizando 52.705 registros no sistema nacional.

Com o avanço na oferta e no registro desses serviços, Mato Grosso do Sul ocupa atualmente o 3º lugar no ranking nacional da taxa de atendimentos cadastrados na Atenção Primária à Saúde (APS).

Crescimento dos atendimentos

Entre as práticas mais realizadas no Estado, a auriculoterapia lidera o número de atendimentos. Em 2024, foram 14.165 procedimentos, seguida por acupuntura com inserção (2.810), aromaterapia (1.134), acupuntura com ventosa ou moxa (571) e eletroestimulação (387).

Também foram registrados atendimentos em cromoterapia (296), geoterapia (157), musicoterapia (148), antroposofia aplicada (92), massoterapia (62), constelação familiar (58) e osteopatia (49).

Em 2025, os registros mantiveram tendência de crescimento, com destaque novamente para auriculoterapia (21.742), seguida por acupuntura com inserção (4.285), aromaterapia (2.517), medicina tradicional chinesa (1.051), acupuntura com ventosa ou moxa (627) e yoga (40).

Municípios ampliam oferta

Entre os municípios com maior volume de atendimentos em 2024 estão Campo Grande, Aquidauana, Jateí, Dourados e Corumbá.

Já em 2025, além da capital, cidades como Terenos, Rio Brilhante e Três Lagoas ampliaram significativamente a oferta dessas práticas na Atenção Primária.

Somente em Campo Grande foram registrados 7.412 atendimentos em auriculoterapia em 2024. Em 2025, o município contabilizou 10.703 procedimentos na mesma prática, além de 1.372 atendimentos em acupuntura com inserção.

Formação voltada à Atenção Primária

No Estado, as capacitações promovidas pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) são direcionadas exclusivamente a médicos da Atenção Primária, especialmente os vinculados às Unidades de Saúde da Família.

A formação é realizada em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e inclui etapas presenciais e remotas, com o objetivo de incorporar a acupuntura como ferramenta complementar ao tratamento convencional.

A responsável pela área técnica das PICS na SES, Patrícia Mecatti, explica que a ampliação da oferta faz parte de uma política estruturada de saúde pública.

“O investimento nas Práticas Integrativas tem como foco a redução da dor crônica, a melhoria da qualidade de vida e a desmedicalização dos usuários do SUS. Em Mato Grosso do Sul, trabalhamos para que, até 2027, pelo menos 70% dos municípios ofertem ao menos uma prática integrativa à população”, destacou.

Regulamentação fortalece expansão

A expansão da acupuntura no país ocorre em paralelo à regulamentação nacional da atividade. Em 13 de janeiro de 2026, foi publicada a Lei nº 15.345/2026, que regulamenta o exercício profissional da acupuntura no Brasil.

A legislação estabelece critérios de formação, reconhecimento profissional e exigência de qualificação específica para atuação na área, garantindo maior segurança aos pacientes e respaldo técnico aos profissionais.

Com a regulamentação, a prática passa a contar com regras claras para o exercício profissional e reforça a ampliação do acesso no SUS, fortalecendo a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), vigente desde 2006.

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