Mato Grosso do Sul registra alta nos crimes contra mulheres
- porRedação
- 10 de Janeiro / 2026
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Os dados revelam que a violência doméstica também segue em crescimento. Em 2015, foram 18.412 registros; em 2024, esse número subiu para 21.050. Até outubro de 2025, 12.873 ocorrências já haviam sido registradas, conforme levantamento do Painel Mulheres em Evidência, do Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul (OCMS).
Além disso, o Estado ocupa posição de destaque nacional em casos de estupro. Em 2025, Mato Grosso do Sul ficou em terceiro lugar no ranking nacional, com 1.435 ocorrências, atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo. A média é de quatro vítimas por dia, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
Mulheres são maioria absoluta das vítimas
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que 2.142 pessoas foram vítimas de estupro em 2025, sendo 86% mulheres. No mesmo período, 20.637 mulheres sofreram violência doméstica e 81 foram vítimas de tentativa de feminicídio.
Para a subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres de Mato Grosso do Sul, Manuela Nicodemos, parte do aumento dos registros está ligada à maior visibilidade e aprimoramento dos mecanismos de identificação.
“Temos investido na formação de profissionais da saúde, educação, segurança pública e assistência social para ampliar a identificação dos casos. Isso não significa necessariamente que a violência aumentou, mas que ela passou a ser mais registrada e visibilizada”, explica.
Crianças também estão entre as principais vítimas
O cenário se torna ainda mais grave quando analisados os dados envolvendo crianças. Em 44% dos casos de estupro registrados no Estado em 2025, as vítimas são menores de idade. Foram 945 registros envolvendo crianças, sendo que 813 delas tinham entre 0 e 11 anos.
De acordo com Manuela Nicodemos, a maioria dos crimes ocorre dentro do próprio ambiente familiar. “Segundo o Anuário de 2025, quase 68% dos estupros de vulneráveis aconteceram dentro da residência da vítima. Isso aumenta drasticamente o risco para crianças, que dependem dos adultos para proteção”, afirma.
Ela também alerta para o impacto das desigualdades sociais. “Em áreas rurais, comunidades indígenas e municípios menores, o acesso à informação e aos serviços de proteção é mais limitado, o que amplia a vulnerabilidade.”
Subnotificação agrava o problema
Especialistas apontam que os números oficiais ainda não refletem toda a dimensão do problema. O medo, a dependência financeira e a pressão familiar fazem com que muitas vítimas não denunciem.
“Denunciar pode significar perder apoio financeiro, romper vínculos familiares e enfrentar ameaças. Muitas mulheres e crianças são desacreditadas ou pressionadas a se calar”, explica a subsecretária. Segundo ela, o medo de retaliação do agressor e a dependência econômica são fatores decisivos para o silêncio.
Casos que marcaram o Estado
Entre os episódios mais emblemáticos está o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, morta a facadas em fevereiro de 2025 pelo companheiro, que acumulava 11 registros de violência doméstica. Um dia antes, ela havia procurado a Delegacia da Mulher para denunciar o agressor.
Outro caso que chocou o Estado foi o da pequena Sophia O’Campo, de apenas 2 anos e 7 meses, que morreu em janeiro de 2023 após ser agredida e estuprada pelo padrasto.
Em dezembro de 2025, Aline Barreto da Silva tornou-se a 39ª vítima de feminicídio do ano. Ela havia denunciado o ex-companheiro por violência doméstica meses antes, mas acabou assassinada após reatar o relacionamento.
Onde buscar ajuda
Em Campo Grande, mulheres em situação de violência podem procurar atendimento 24 horas na Casa da Mulher Brasileira, localizada na Rua Brasília, s/n, Jardim Imá. No local funcionam a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Defensoria Pública, Ministério Público, Vara de Medidas Protetivas, atendimento psicológico e social, abrigo temporário e apoio às crianças.
A Guarda Municipal pode ser acionada pelo telefone 153.






