Justiça retira tornozeleira de mais quatro réus em esquema de corrupção

Vereador Cláudio Jordão de Almeida Serra Filho, o “Claudinho Serra” (PSDB) | Créditos: Foto: Izaías Medeiros/CMCG

A medida foi assinada pelo juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva, da Vara Criminal de Sidrolândia. Outros três réus já haviam tido a tornozeleira eletrônica retirada em dezembro de 2025, entre eles o ex-secretário de Fazenda Claudinho Serra.

Apesar da retirada do monitoramento eletrônico, a Justiça manteve outras medidas cautelares. Três dos investigados continuam obrigados a comparecer mensalmente ao Fórum, e Rossetini voltou a ser submetido à exigência de recolhimento noturno, embora com horário flexibilizado: a obrigação agora passa a valer a partir da meia-noite. Ele está empregado em um supermercado na região central de Campo Grande.

Esquema investigado

A Operação Tromper foi deflagrada em maio de 2023 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) e revelou um amplo esquema de corrupção envolvendo empresários e servidores públicos de Sidrolândia. O núcleo da investigação gira em torno da empresa Rocamora Serviços de Escritório Administrativo Eirelli, pertencente ao empresário Ricardo José Rocamora Alves, apontada como responsável pela emissão de notas fiscais frias.

A empresa firmou mais de R$ 2,3 milhões em contratos com a prefeitura, fornecendo desde serviços administrativos até itens como merenda escolar e serviços de chaveiro, o que levantou suspeitas dos investigadores.

Em julho de 2023, a segunda fase da operação levou à prisão de empresários e servidores, incluindo Ueverton da Silva Macedo, Roberto Valençuela e o então servidor Tiago Basso da Silva, que posteriormente firmou acordo de delação premiada.

Sete pessoas se tornaram rés nessa etapa:
Ueverton da Silva Macedo,
Ricardo José Rocamora Alves,
Roberto da Conceição Valençuela,
Odinei Romeiro de Oliveira,
Evertom Luiz de Souza Luscero,
César Augusto dos Santos Bertoldo e
Flávio Trajano Aquino dos Santos.

O empresário Milton Matheus Paiva Matos teve o processo suspenso após acordo de colaboração, enquanto o ex-secretário de Infraestrutura Carlos Alessandro da Silva foi denunciado, mas acabou excluído do processo.

Ramificação no setor de obras

Em abril de 2024, a terceira fase da Tromper revelou uma nova ramificação do esquema, desta vez no setor de engenharia e pavimentação asfáltica. Os contratos investigados chegam a cerca de R$ 15 milhões.

Nesta etapa, Claudinho Serra, então vereador de Campo Grande e ex-secretário de Fazenda de Sidrolândia, foi preso poucos dias após assumir mandato na Câmara Municipal. Ele acabou sendo solto menos de um mês depois.

Em abril de 2025, Serra e outros 22 investigados tornaram-se réus após a Justiça aceitar denúncia do Ministério Público. As apurações do Gecoc e a delação de Tiago Basso apontam fraudes em setores como o Cemitério Municipal, Fundação Indígena, abastecimento da frota e repasses ilegais ao ex-secretário, que variavam de 10% a 30% dos valores dos contratos.

A quarta fase da operação foi deflagrada em junho de 2025, com indícios de que o grupo continuava atuando mesmo após medidas judiciais. Claudinho Serra voltou a ser preso, mas acabou solto meses depois por decisão do Superior Tribunal de Justiça.

Com a nova decisão judicial, o processo segue em andamento, com os réus respondendo em liberdade, porém sob medidas cautelares.

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