Mato Grosso do Sul inicia em 2026 estratégia inédita de imunização contra o VSR para bebês vulneráveis
- porRedação
- 28 de Janeiro / 2026
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Nos primeiros meses de vida, cada cuidado faz diferença. Para bebês que nascem prematuros ou convivem com problemas de saúde, a proteção contra vírus respiratórios pode ser decisiva para evitar internações e quadros graves. Diante desse cenário, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) inicia, em 2026, a Estratégia de Imunização contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), com a incorporação do imunobiológico Nirsevimabe ao SUS (Sistema Único de Saúde).
Mato Grosso do Sul recebeu 440 doses do medicamento, enviadas pelo Ministério da Saúde, para dar início à estratégia já no começo de fevereiro. A retirada pelas prefeituras ocorre nesta quinta-feira (29) e sexta-feira (30), na Rede de Frio estadual, com posterior distribuição às maternidades selecionadas.
Ao todo, 17 maternidades em diferentes regiões do Estado contarão com estoque do imunobiológico especial. As unidades estão localizadas em Campo Grande, Dourados, Corumbá, Três Lagoas, Amambai, Ponta Porã, Bonito, Nova Andradina, Rio Brilhante, Iguatemi, Miranda, Aquidauana, Paranaíba, Chapadão do Sul, Jardim, Cassilândia e Maracaju. Os demais municípios poderão solicitar as doses por meio do sistema E-CRIE.
A estratégia é voltada a bebês prematuros com menos de 37 semanas de gestação e a crianças com comorbidades de até 24 meses de idade. Entre as condições contempladas estão cardiopatia congênita, imunocomprometimento grave, fibrose cística, anomalias congênitas das vias aéreas, doença pulmonar crônica da prematuridade, síndrome de Down e doenças neuromusculares.
O Nirsevimabe é um anticorpo monoclonal indicado para prevenir infecções causadas pelo VSR, um dos principais responsáveis por doenças respiratórias graves em bebês, podendo evoluir para hospitalização e até óbito. O medicamento será ofertado prioritariamente ao público mais vulnerável.
A aplicação poderá ocorrer ainda nas maternidades, nos primeiros dias ou horas de vida, de forma semelhante às vacinas BCG e hepatite B. A proposta é ampliar o alcance e garantir proteção precoce aos recém-nascidos elegíveis.
A implantação da estratégia também marca uma transição na política estadual de prevenção ao VSR. Até então, o Palivizumabe era ofertado pela Assistência Farmacêutica a um grupo mais restrito, como prematuros extremos. Com a incorporação do Nirsevimabe, a coordenação passa a ser da área de Imunização, ampliando o público atendido.
Durante o período de transição, bebês que já iniciaram o esquema com Palivizumabe deverão concluir o protocolo conforme os critérios vigentes, mantendo o atendimento pela Assistência Farmacêutica. A SES reforça que pais e responsáveis devem procurar a unidade de saúde para orientações específicas, evitando descontinuidade no cuidado.
Segundo a coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, a mudança representa um avanço significativo na proteção da primeira infância. “Antes atendíamos prematuros com menos de 30 semanas. Agora ampliamos para os nascidos com menos de 37 semanas, além das crianças com comorbidades. É uma estratégia mais abrangente, que permitirá reduzir o risco de hospitalizações e agravamentos”, destacou.
Para viabilizar a implementação, a SES definiu o fluxo operacional, realizou webconferências com os 79 municípios e promoveu capacitações para equipes municipais e profissionais das maternidades. Nas unidades hospitalares, o foco inicial será a imunização de prematuros, enquanto crianças com comorbidades diagnosticadas posteriormente passarão por avaliação no CRIE (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais).
De acordo com a coordenação estadual, a rápida organização coloca Mato Grosso do Sul em posição de destaque nacional. “Nossa intenção é iniciar o quanto antes. Se conseguirmos começar nos primeiros dias de fevereiro, seremos um dos primeiros estados a colocar a estratégia em prática”, afirmou Goldfinger.
A SES ressalta que o Nirsevimabe é um medicamento de alto custo, agora incorporado ao SUS, e representa um avanço importante na proteção da primeira infância. Pais e responsáveis devem ficar atentos às orientações das unidades de saúde para garantir o acesso ao imunizante dentro dos critérios estabelecidos.
Kamilla Ratier – Comunicação SES
Foto de capa: Bruno Rezende/Secom/Arquivo






