Líderes religiosos pedem cautela após denúncias contra políticos conservadores em Campo Grande
- porRedação
- 11 de Março / 2026
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Líderes religiosos de Campo Grande demonstraram cautela diante das denúncias policiais envolvendo figuras políticas conservadoras da Capital acusadas de assédio, traição, abuso psicológico e até estupro. Em menos de 15 dias, três casos distintos vieram a público, envolvendo autoridades e servidores ligados ao alto escalão do poder público municipal.
Dois dos acusados são ex-vereadores, e os três costumam se apresentar publicamente como cristãos e defensores de valores familiares. Até o momento, nenhum deles sofreu sanções mais severas e todos tiveram a oportunidade de solicitar afastamento das funções públicas enquanto as denúncias são investigadas.
O primeiro caso envolve um pastor e então diretor de um Centro de Convivência do Idoso, acusado de ter estuprado uma adolescente de 15 anos em 2019. A vítima, atualmente com 21 anos, procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no dia 30 de janeiro deste ano e solicitou medidas protetivas de urgência. O caso veio a público no início de março, e a Prefeitura de Campo Grande afastou o servidor das atividades.
O pastor também integrava o conselho de ética do Conselho Municipal de Pastores de Campo Grande (CONSEPACG). Em nota, a entidade informou que o líder religioso pediu afastamento da diretoria até que os fatos sejam esclarecidos. O conselho afirmou ainda que não cabe à instituição emitir julgamento sobre culpa ou inocência, responsabilidade que cabe aos órgãos competentes.
Outras denúncias
Outro caso envolve o ex-vereador e então secretário municipal da Juventude, Paulo Lands, de 38 anos. Um jovem de 22 anos registrou boletim de ocorrência contra ele por assédio sexual e estupro de vulnerável. O político, que se define como “cristão de direita” e “conservador”, pediu afastamento do cargo no dia 2 de março e foi afastado preventivamente por 60 dias, prazo previsto para a conclusão do processo administrativo.
O terceiro caso envolve o ex-vereador Sandro Benites, que ocupava o comando da Fundação Municipal de Esportes (Funesp). Ele foi acusado por uma mulher com quem manteve um relacionamento extraconjugal de violência psicológica, resultando na concessão de medida protetiva. Após a denúncia, Benites solicitou o desligamento do cargo para esclarecer os fatos.
Posição de lideranças religiosas
O vereador de Campo Grande Clodoilson Pires, pastor da Igreja Evangélica Comunidade Global, afirmou que prefere aguardar o avanço das investigações antes de emitir qualquer julgamento.
“Espero que a Justiça faça o seu papel de apurar os fatos e julgar aplicando as penas cabíveis em cada situação. Quanto a mim, longe de mim julgar quem quer que seja, seja ele um líder religioso ou não, pois Jesus assim nos ensinou”, declarou.
Já o vereador Herculano Borges, pastor auxiliar da Igreja FIT (Fé Invadindo a Terra), destacou que há expectativa maior sobre a conduta de figuras públicas que se apresentam como cristãs, mas que a responsabilidade ética deve ser igual para todos.
“Em casos de abuso ou violência, o que a sociedade espera é apuração rigorosa e responsabilidade. Quando episódios dessa natureza são confirmados envolvendo lideranças religiosas, é comum o afastamento das funções para preservar a integridade das instituições e o respeito à sociedade”, afirmou






