Líderes religiosos pedem cautela após denúncias contra políticos conservadores em Campo Grande

Líderes religiosos de Campo Grande demonstraram cautela diante das denúncias policiais envolvendo figuras políticas conservadoras da Capital acusadas de assédio, traição, abuso psicológico e até estupro. Em menos de 15 dias, três casos distintos vieram a público, envolvendo autoridades e servidores ligados ao alto escalão do poder público municipal.

Dois dos acusados são ex-vereadores, e os três costumam se apresentar publicamente como cristãos e defensores de valores familiares. Até o momento, nenhum deles sofreu sanções mais severas e todos tiveram a oportunidade de solicitar afastamento das funções públicas enquanto as denúncias são investigadas.

O primeiro caso envolve um pastor e então diretor de um Centro de Convivência do Idoso, acusado de ter estuprado uma adolescente de 15 anos em 2019. A vítima, atualmente com 21 anos, procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no dia 30 de janeiro deste ano e solicitou medidas protetivas de urgência. O caso veio a público no início de março, e a Prefeitura de Campo Grande afastou o servidor das atividades.

O pastor também integrava o conselho de ética do Conselho Municipal de Pastores de Campo Grande (CONSEPACG). Em nota, a entidade informou que o líder religioso pediu afastamento da diretoria até que os fatos sejam esclarecidos. O conselho afirmou ainda que não cabe à instituição emitir julgamento sobre culpa ou inocência, responsabilidade que cabe aos órgãos competentes.

Outras denúncias

Outro caso envolve o ex-vereador e então secretário municipal da Juventude, Paulo Lands, de 38 anos. Um jovem de 22 anos registrou boletim de ocorrência contra ele por assédio sexual e estupro de vulnerável. O político, que se define como “cristão de direita” e “conservador”, pediu afastamento do cargo no dia 2 de março e foi afastado preventivamente por 60 dias, prazo previsto para a conclusão do processo administrativo.

O terceiro caso envolve o ex-vereador Sandro Benites, que ocupava o comando da Fundação Municipal de Esportes (Funesp). Ele foi acusado por uma mulher com quem manteve um relacionamento extraconjugal de violência psicológica, resultando na concessão de medida protetiva. Após a denúncia, Benites solicitou o desligamento do cargo para esclarecer os fatos.

Posição de lideranças religiosas

O vereador de Campo Grande Clodoilson Pires, pastor da Igreja Evangélica Comunidade Global, afirmou que prefere aguardar o avanço das investigações antes de emitir qualquer julgamento.

“Espero que a Justiça faça o seu papel de apurar os fatos e julgar aplicando as penas cabíveis em cada situação. Quanto a mim, longe de mim julgar quem quer que seja, seja ele um líder religioso ou não, pois Jesus assim nos ensinou”, declarou.

Já o vereador Herculano Borges, pastor auxiliar da Igreja FIT (Fé Invadindo a Terra), destacou que há expectativa maior sobre a conduta de figuras públicas que se apresentam como cristãs, mas que a responsabilidade ética deve ser igual para todos.

“Em casos de abuso ou violência, o que a sociedade espera é apuração rigorosa e responsabilidade. Quando episódios dessa natureza são confirmados envolvendo lideranças religiosas, é comum o afastamento das funções para preservar a integridade das instituições e o respeito à sociedade”, afirmou

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