Justiça torna réus ex-presidente da Santa Casa e outras seis pessoas por suposto desvio de recursos

| Créditos: Reprodução/ André de Abreu/ TopMidia


A Justiça de Mato Grosso do Sul recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual no âmbito da Operação Antidotum e tornou réus sete investigados por suspeitas de corrupção e desvio de recursos na Santa Casa de Campo Grande.

Entre os denunciados está a ex-presidente da instituição, Alir Terra Lima, apontada pelo Ministério Público como responsável pela liderança do grupo. Também passaram à condição de réus Jary de Carvalho e Castro, ex-vice-presidente; Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor de Finanças; Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo; Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor-adjunto de Finanças; Monique Gregório de Oliveira, ligada ao setor de prontuários; e o empresário Maurício Aparecido Benites, relacionado à empresa Redvalue Tecnologia.

Segundo a acusação, o grupo teria participado de um esquema envolvendo um contrato firmado entre a Santa Casa e a Redvalue para a digitalização de prontuários. A investigação aponta que aproximadamente R$ 1,97 milhão teriam sido pagos por serviços que não chegaram a ser efetivamente realizados.

A denúncia sustenta ainda que os recursos utilizados nos pagamentos tinham origem no SUS, dentro de convênio firmado entre a Prefeitura de Campo Grande, a Secretaria Estadual de Saúde e a Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.

De acordo com o Ministério Público, Alir Terra Lima teria exercido papel central na estrutura investigada, com influência sobre contratações e decisões administrativas. Jary de Carvalho e Castro é acusado de atuar na aproximação da Redvalue com a direção do hospital e na priorização de pagamentos à empresa.

Os demais denunciados são apontados, conforme suas funções, como participantes das etapas administrativas, financeiras, de fiscalização e documentação relacionadas ao contrato.

A Justiça determinou que os sete apresentem resposta às acusações no prazo legal. O Ministério Público também solicitou novamente a prisão preventiva de Jary de Carvalho e Castro, mas o juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal de Campo Grande, determinou que o pedido seja analisado em processo separado.

A acusação também solicita a reparação de aproximadamente R$ 1,97 milhão pelos danos materiais e o mesmo valor por danos morais coletivos.

As defesas apresentaram versões distintas. O advogado de Alir Terra Lima, Murilo Marques, afirma que ela não praticou atos ilícitos e que as decisões eram tomadas em conjunto com a diretoria. Já a defesa de Maurício Aparecido Benites, representada pelo advogado Fábio Leandro, contesta as acusações e sustenta que os documentos apresentados demonstrariam inconsistências na denúncia.

A condição de réu significa que a Justiça recebeu a acusação e dará prosseguimento à ação penal, não representando condenação dos envolvidos.

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