Justiça nega pedido de soltura a empresário preso em operação contra o jogo do bicho em MS

| Créditos: Fotos: Acervo particular e Assessoria de Imprensa

A Justiça de Mato Grosso do Sul negou o pedido de soltura do empresário Gerson Chahuan Tobji, um dos 18 presos durante a última ofensiva contra o jogo do bicho, deflagrada em novembro de 2025. A decisão foi proferida pelo juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande.

A defesa do empresário argumentou que a prisão preventiva não se justificaria, com base no Código de Processo Penal, sustentando que o réu não oferece risco à instrução do processo nem à ordem pública. O MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), no entanto, manifestou-se de forma contrária à concessão da liberdade.

Ao analisar o pedido, o magistrado entendeu que não há elementos novos capazes de justificar a revogação da prisão, destacando que a ação penal relacionada à exploração do jogo do bicho ainda se encontra em fase inicial. Um novo pedido de liberdade apresentado pela defesa aguarda julgamento na 1ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

Segundo o MPMS, Gerson Chahuan Tobji exercia papel relevante dentro da organização criminosa investigada. As apurações indicam que ele teria sido responsável por organizar a abertura de um cassino ligado ao grupo e por armazenar informações estratégicas da organização em um pendrive.

A Promotoria também aponta que a ligação do empresário com o esquema ilegal é sustentada por movimentações financeiras consideradas suspeitas. Foram identificadas transferências que somam mais de R$ 188 mil, feitas por pessoas ligadas à organização, entre elas o deputado estadual Neno Razuk (PL), apontado como líder do grupo, além do advogado Rhiad Abdulahad e de outro investigado.

O caso integra a quarta fase da Operação Successione, deflagrada pelo Gaeco/MPMS em 25 de novembro de 2025. A ação teve como alvo uma organização criminosa dedicada à exploração de jogos ilegais em Mato Grosso do Sul e resultou no cumprimento de 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em diversos municípios do Estado, além de outros estados do país.

De acordo com as investigações, o grupo teria tentado assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande após o enfraquecimento de organizações criminosas rivais, mantendo atuação estruturada e violenta para garantir o monopólio da contravenção. Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas pelo MPMS, que também pede o pagamento de R$ 36 milhões por danos decorrentes das atividades ilícitas.

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