Justiça impõe restrições a policial após soltura e suspende atuação operacional na Polícia Civil de MS
- porRedação
- 09 de Fevereiro / 2026
- Leitura: em 9 segundos

O policial civil Augusto Torres Galvão Florindo teve o exercício de suas funções parcialmente suspenso na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e poderá atuar apenas em atividades administrativas ou cartorárias. A medida cautelar foi determinada pelo juiz Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, da 5ª Vara Federal de Campo Grande, após a concessão de liberdade a Augusto e ao ex-guarda municipal Marcelo Raimundo da Silva, na última sexta-feira (6).
A decisão ocorreu após o encerramento da fase de instrução do processo. Embora o magistrado reconheça a gravidade das acusações, especialmente pelo suposto envolvimento de um agente público, o juiz considerou que, neste momento processual, a prisão preventiva poderia ser substituída por medidas cautelares alternativas. Isso porque a pena prevista para o crime imputado é de até dois anos de reclusão e já não haveria risco de interferência na produção de provas.
“Após o correr da instrução, não mais se cogita a possibilidade de embaraço à colheita de provas, tampouco sua destruição ou manipulação”, destacou o juiz em trecho da decisão.
Medidas cautelares
Com a soltura, Augusto e Marcelo passaram a cumprir uma série de restrições. No caso do policial civil, foi determinado que ele exerça exclusivamente funções internas, sem participação em atividades investigativas, repressivas, diligências externas ou escalas de plantão. Além disso, deverão ser recolhidos distintivos, itens de indumentária e documentos funcionais da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS).
A Justiça Federal também suspendeu a autorização para posse de arma de fogo e proibiu Augusto de atuar como instrutor de armamento e tiro. Segundo o magistrado, as medidas são suficientes para garantir o vínculo dos réus com o processo e evitar eventual reiteração delitiva.
Atuação em segurança privada
Durante audiência realizada na quinta-feira (5), Augusto afirmou à Justiça Federal que é comum, na rotina da profissão, realizar “bicos de segurança”. Questionado sobre sua presença no estacionamento de um supermercado da rede Fort, onde foi preso em flagrante, ele alegou que atuava em segurança privada, sem detalhar o contratante. Sobre os R$ 130 mil apreendidos, declarou que receberia apenas R$ 7 mil pelo serviço.
Flagrante e investigação
Agentes da Polícia Federal relataram que a ação teve início após denúncia anônima sobre um possível saque bancário destinado ao pagamento de práticas ilícitas relacionadas a crimes de descaminho. A PF, então, acompanhou os suspeitos desde a agência bancária até o momento em que Marcelo entregou o dinheiro ao policial, no estacionamento de um supermercado em Campo Grande.
No momento da abordagem, os agentes anunciaram a ação e encontraram mais de R$ 100 mil no veículo de Augusto. Ambos foram algemados, diante da suspeita de corrupção.
Confissões e acusações
Em interrogatório, Marcelo Raimundo afirmou que foi orientado a entregar o dinheiro ao policial e que a quantia seria referente ao pagamento de cigarros eletrônicos. Já Augusto admitiu que o dinheiro tinha origem em mercadorias contrabandeadas, supostamente desviadas após apreensões policiais. Ele também afirmou que outros policiais civis estariam envolvidos no esquema, mas não revelou nomes.
Marcelo, que já possui histórico de prisões por contrabando e descaminho, utiliza tornozeleira eletrônica. Os dois investigados poderão responder pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Esquema de contrabando
O depoimento de Augusto reforçou investigações sobre roubos de mercadorias contrabandeadas em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, há registros frequentes de assaltos a “muambas”, inclusive envolvendo suspeitos que se passam por policiais. O caso segue sob investigação da Justiça Federal.






