“Jura Que É Fake? No Brasil Até o Crime Organizado Está Desorganizado”

| Créditos: IA /Conteúdo MS


Caros leitores e vítimas em potencial de qualquer nova modalidade de embuste,

Chegamos a um ponto de saturação surreal no Brasil onde nem o crime organizado consegue manter a originalidade e o monopólio de sua marca. O título da notícia é um primor da tragicomédia nacional: "Criminoso do PCC fake ameaçava vítimas de golpe com arma na mão".

Juro, quando li, pensei: é o Brasil, mas parece uma esquete do Porta dos Fundos escrita com uma pitada de Kafka e muito suco de mangaba azeda.

Afinal, a coisa já estava ruim com o PCC original, a facção raiz, a que aterroriza de verdade. Mas agora, temos o PCC Versão Brasileira, pirataria nível hard, o genérico do bandido!

Qual é a próxima etapa dessa evolução bizarra?

O Comando Vermelho abrirá uma franquia de "Comando Vermelho Express" com taxa de adesão via Pix?

O líder de uma facção fake ligará para a vítima e dirá: "Olha, sou do PCC, mas o de mentirinha, tá? É só um golpe light, não precisa se preocupar muito. Mas passa o Pix aí, por favor. É para pagar o aluguel do nosso coworking do crime."

Teremos o "PCC Premium" com ameaças em 4K e legendas, e o "PCC Fake Standard", que só manda áudio com chiado e erra a gramática na extorsão?

A realidade brasileira é tão inacreditável que a fake news virou modelo de negócios para facções criminosas. E é hilário, se não fosse trágico, ver o estelionatário (o crime mais covarde e dependente da burrice alheia) se escorando no terror alheio causado pelo PCC de verdade. É a metáfora perfeita para um país onde tudo é copiado, falsificado e deturpado.

O PCC fake é a prova de que no Brasil até a bandidagem tem cosplay. Onde o crime está tão popularizado que há demanda para uma versão mais barata e acessível.

O golpe já não é só financeiro, é uma afronta à nossa inteligência e senso de humor. Até para ser bandido de alto nível precisa-se de credibilidade e grife. O coitado do criminoso do PCC fake tem que andar com a arma na mão para compensar a falta de histórico no crime. Um verdadeiro influencer do medo, mas com pouco engajamento na cadeia hierárquica.

O que esperar dessa terra?

A Operação "Fake Zero": a polícia prende o PCC fake e descobre que eles foram enganados por um PCC fake do fake.

O "Manual do Calote do Crime": onde o PCC original processa o PCC fake por uso indevido da marca e concorrência desleal.

A Crise de Identidade do Bandido: no presídio, ninguém mais sabe quem é quem. "Você é de qual PCC, irmão? O que assusta de verdade ou o que só manda zap?"

Enfim, o jeito é rir para não chorar e guardar o troco, porque nem o medo mais nos pertence. Foi tudo terceirizado, digitalizado e, pior, falsificado.

O Brasil não é para amadores. É um laboratório de absurdos onde até o perigo pode ser uma imitação barata. 


Por Alcina Reis

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