Julgamento de Marcos Pollon no Conselho de Ética é suspenso após deputado apresentar atestado e defensor relatar ameaças


O andamento dos processos disciplinares contra o deputado federal Marcos Pollon (PL) na Câmara dos Deputados foi interrompido e adiado nesta sexta-feira (12), em uma sessão marcada por dois incidentes: a apresentação de um atestado médico pelo parlamentar e o relato de ameaças feito pelo defensor dativo nomeado pela Casa.

Pollon entregou à Comissão de Ética um atestado de afastamento de nove dias, que engloba o período previsto para as sessões de julgamento. O deputado havia passado mal na tarde de quinta-feira (11) e recebeu atendimento médico no local.

Em nota, a assessoria do congressista informou que ele é "neurodivergente" e que as 48 horas que antecederam o mal-estar foram caracterizadas por "sobrecarga intensa de estímulos e a um ambiente de pressão emocional prolongada". Segundo a defesa, esse quadro teria levado a uma "incapacidade momentânea de regulação sensorial e linguística".

Advogado Abandona o Caso

O segundo fato que levou à paralisação do julgamento foi a saída do advogado Clebson Gean da Silva Santos, que havia sido designado pela Câmara para atuar como defensor dativo de Pollon. O advogado relatou ter recebido uma ligação do deputado, que o ameaçou de representação e o orientou a abandonar a defesa.

"O representado me ligou, me ameaçando de representação, e eu creio que, no exercício do serviço público e da função de advogado da Casa, não vou ficar submetido a uma ameaça”, declarou o defensor, que se retirou da sessão.

Com a ausência de representação legal, a sessão foi encerrada, resultando na suspensão dos trabalhos.

Posição do Conselho e Próximos Passos

O presidente da sessão, delegado Marcelo Freitas (União–MG), declarou que não permitirá “manobras protelatórias”, citando a necessidade de concluir os processos antes do recesso parlamentar, previsto para começar na próxima sexta-feira (19). Ele também lembrou que outros processos no colegiado, como os de Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, foram julgados sem a presença dos parlamentares.

Marcos Pollon é alvo de dois processos disciplinares: um que apura seu envolvimento no motim que bloqueou o plenário da Câmara por 30 horas em agosto, e outro referente a ofensas dirigidas ao presidente da Câmara.

O Conselho de Ética informou que solicitará a Pollon a indicação de um novo advogado e que a sessão será retomada na próxima terça-feira (16). A assessoria do deputado, contudo, argumenta que o regimento exige a suspensão das sessões enquanto o atestado médico estiver vigente, a fim de garantir o direito de defesa. O relator dos processos tem até 22 de fevereiro para apresentar seu relatório final.

Com informações do Campo Grande News

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