Juíza quebra sigilos de 29 investigados e determina bloqueio de R$ 7,5 milhões por desvios em hospital de Sidrolândia

| Créditos: Foto: Reprodução/Investiga MS


A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 29 pessoas físicas e jurídicas investigadas por suspeita de desvio de recursos públicos do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia. A magistrada também autorizou o sequestro de bens e valores para tentar garantir o ressarcimento aos cofres públicos.

A medida faz parte da Operação Dirty Pix, deflagrada em 7 de outubro pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). As investigações apuram um esquema que teria desviado recursos destinados à compra de equipamentos e materiais hospitalares, aquisição de uma unidade móvel de UTI e obras de reforma da unidade de saúde. Os convênios investigados ultrapassam R$ 18 milhões.

O pedido foi apresentado pelos promotores Adriano Lobo Viana de Resende, Bianka Mendes e Humberto Lapa Ferri. O objetivo é rastrear as movimentações financeiras e identificar o destino dos recursos supostamente desviados.

Entre os investigados estão Jacob Meeuwis Breure, presidente do hospital; o engenheiro civil Lucas Marques Nunes, ligado à empresa Bálsamo Engenharia e Construção; e o pecuarista Lúcio Mauro Borges Basso, irmão do prefeito de Sidrolândia, Rodrigo Basso (PL). Também aparecem na relação a delegada Cynthia Karoline Bezerra Gomes Tapias e o policial rodoviário federal Ademilson de Souza Benitez.

A quebra dos sigilos abrange o período de 1º de maio de 2022 a 31 de julho de 2026. O Ministério Público solicitou o bloqueio de aproximadamente R$ 7,594 milhões em contas bancárias, imóveis, veículos e investimentos dos investigados.

Jacob Meeuwis Breure e empresas relacionadas a ele concentram os maiores valores indicados nos pedidos de bloqueio. Entre as empresas citadas estão Impact Desenvolvimento Empresarial, Inovar Aviação Ltda., B & N Comércio de Combustíveis, conhecida como Auto Posto Global, e Global Produtos Agropecuários.

As apurações apontam suspeitas de elaboração de planos de trabalho com informações fraudulentas, superfaturamento de bens e serviços e direcionamento de contratos. Segundo os elementos reunidos pelo Ministério Público, parte dos recursos teria sido desviada após o repasse à entidade hospitalar e redistribuída por meio de sucessivas movimentações financeiras.

A operação também resultou em prisões preventivas. Jacob Breure, Júlio César Alves da Silva e Cristina Rosa Gomes de Carvalho foram presos em 7 de outubro.

Os investigados são suspeitos de envolvimento em crimes como corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. As acusações ainda dependem da apuração judicial, e a responsabilidade criminal de cada envolvido deverá ser estabelecida pela Justiça.

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