Investigação sobre contratos de R$ 17 milhões da gestão Marcelo Iunes chega à Justiça Federal

| Créditos: Divulgação


Após cerca de quatro anos de apurações, o inquérito que investiga possíveis irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Corumbá durante a gestão do ex-prefeito Marcelo Iunes (PP) passou a tramitar na 5ª Vara Federal de Campo Grande.

O caso envolve a empresa Agility Serviços Integrados Ltda. e contratos de obras que, somados, chegaram a aproximadamente R$ 17 milhões. A investigação teve origem em uma denúncia apresentada em maio de 2022 à Ouvidoria do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e posteriormente passou a ser acompanhada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Entre os investigados está Ricardo Ametlla, que ocupava o cargo de secretário municipal de Infraestrutura durante a administração de Iunes. Segundo as apurações, existe a suspeita de que Ametlla seria o proprietário de fato da Agility, enquanto Carlos Cesar Paz Gomes aparece formalmente como proprietário da empresa.

A empreiteira foi criada em 2021 e, conforme os dados reunidos na investigação, venceu licitações e celebrou contratos com a Prefeitura de Corumbá ao longo dos anos seguintes. Os investigadores apuram se houve utilização de procedimentos licitatórios fraudulentos e eventual participação de pessoas ligadas à administração municipal.

O caso também passou a envolver suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro após a quebra dos sigilos fiscal e bancário dos investigados. Entre os elementos analisados estão depósitos em espécie realizados de forma fracionada, movimentações consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada e a aquisição de imóvel com dinheiro depositado em parcelas.

Inicialmente, o procedimento tramitou na Justiça Estadual e passou pela 5ª Promotoria de Justiça de Corumbá. Posteriormente, houve encaminhamento à Polícia Federal e mudanças de competência entre unidades da Justiça Federal.

A juíza federal substituta Jéssica Flores Silva, da 5ª Vara Federal de Campo Grande, reconheceu a competência da unidade especializada para conduzir o processo. Na decisão, publicada em 1º de outubro no Diário da Justiça Eletrônico Nacional, a magistrada considerou que os elementos reunidos apontam para uma possível estrutura envolvendo contratos públicos e movimentações financeiras que precisam ser apuradas.

A investigação ainda está em andamento e as suspeitas apresentadas no inquérito dependem da conclusão das apurações e das decisões judiciais cabíveis.

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