Intervenção apura indícios de desvios financeiros de R$ 32 milhões e contabilidade paralela no transporte coletivo
- porRedação
- 29 de Agosto / 2026
- Leitura: em 8 segundos

A comissão responsável pela intervenção na concessão do transporte público da Capital incluiu entre os focos de investigação a movimentação atípica de cerca de R$ 32 milhões entre concessionárias do sistema e empresas vinculadas. A apuração analisa a suspeita de transações contábeis irregulares e a eventual existência de movimentação financeira paralela (caixa dois) no Consórcio Guaicurus.
Os valores sob suspeita foram originalmente detectados durante auditorias e levantamentos da Agência Municipal de Regulação (Agereg), além de apontamentos prévios em relatórios e comissões parlamentares de inquérito. De acordo com os levantamentos técnicos, os repasses teriam ocorrido sem a devida comprovação de contrapartida operacional ou prestação de serviços direta ao sistema de transporte municipal.
Entre as frentes de trabalho da equipe interventora estão a auditoria detalhada nos balancetes contábeis, a análise do fluxo de caixa dos últimos exercícios e a checagem das contas bancárias operacionais do consórcio. O objetivo é mapear se verbas do sistema concessionado foram direcionadas para cobrir passivos externos ou beneficiar entidades privadas não correlacionadas ao serviço público.
Desdobramentos contratuais e judiciais
A identificação dessas inconsistências contábeis soma-se a um histórico de auditorias e decisões judiciais que apontam descumprimentos de obrigações contratuais pela concessionária, tais como a manutenção de frota com idade acima do limite permitido, problemas na fiscalização eletrônica e deficiências na infraestrutura das estações de transbordo.
A equipe de intervenção informou que todos os achados contábeis e operacionais serão formalizados em relatórios periódicos para prestação de contas ao Poder Executivo municipal e aos órgãos de controle. O Consórcio Guaicurus mantém o posicionamento de que apresentou propostas de restruturação e busca alternativas negociadas junto ao poder público para a regularização dos serviços.






