Intervenção aponta passivo financeiro de R$ 20,4 milhões no transporte coletivo de Campo Grande

| Créditos: Reprodução/Consórcio Guaicurus


Um levantamento preliminar divulgado pela junta interventora do transporte público de Campo Grande (MS) revelou que o Consórcio Guaicurus acumula um passivo financeiro estimado em R$ 20,4 milhões. De acordo com o diagnóstico, a maior parte desse montante é composta por compromissos junto a instituições bancárias, que somam R$ 14,8 milhões. O restante do débito divide-se entre R$ 4,2 milhões em atrasos com fornecedores de insumos (como peças e combustível), R$ 825 mil em parcelas de financiamento de veículos e R$ 553 mil em encargos trabalhistas, incluindo o FGTS.

Segundo os técnicos responsáveis pela fiscalização — iniciada em junho de 2026 com previsão de duração de 180 dias —, as pendências com tributos e obrigações fiscais não são recentes, registrando ocorrências que remontam a 2014, logo nos primeiros anos de vigência do contrato de concessão. Além da crise financeira, o relatório inicial apontou gargalos operacionais importantes, como a ausência de manutenção preventiva da frota (priorizando-se apenas reparos corretivos de urgência), sistemas de gestão desatualizados e a circulação de mais de 190 ônibus com tempo de uso superior a dez anos, limite máximo estabelecido pelo regulamento contratual.

A divulgação dos dados repercutiu no Legislativo municipal, onde parlamentares articulam debates sobre a viabilidade de extinção do contrato de concessão, com base também em relatórios anteriores elaborados por comissões de inquérito da própria Câmara.

Por outro lado, a concessionária atribui o endividamento ao desequilíbrio econômico-financeiro do sistema. O Consórcio Guaicurus sustenta que a crise é agravada por repasses governamentais pendentes, decorrentes da diferença entre a tarifa pública (paga diretamente pelo usuário) e a tarifa técnica de remuneração (calculada pela agência reguladora para custear a operação real).

A junta interventora planeja publicar novos balanços parciais nos próximos meses. O documento de auditoria final está previsto para ser entregue em dezembro, servindo de base para a tomada de decisão sobre o futuro do contrato de concessão do transporte público da capital, programada para janeiro de 2027.

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