Ibovespa fecha com leve alta, graças a Petrobras e bancos

| Créditos: G1 Investing


O Ibovespa sossegou nesta quarta-feira, após a forte queda de ontem: alta de 0,17%, aos 134.666,46 pontos, um ganho pequeno de 234,20 pontos, após perder quase 3 mil pontos ontem.

O dólar comercial também se acomodou e recuou 0,48%, a R$ 5,473, após a ampla alta vista ontem. E os DIs (juros futuros) caíram por toda a curva.

Ibovespa tem leve correção

O ganho de hoje foi mais uma correção do que um fato concreto. É um alívio, não uma esperança. Porque ninguém está muito iludido: o quadro político ainda não mudou na relação EUA e Brasil. Uma relação que praticamente inexiste, como mostra bem evento cancelado pelos EUA que aconteceria com a FAB.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, inclusive concorda com a situação complicada que o setor bancário brasileiro está colocado e que foi justamente a causa da derrota acachapante do Ibovespa ontem.

Em entrevista à Reuters, reconheceu que a atuação da Justiça dos EUA em relação aos bancos brasileiros que têm operações nos EUA “é da aplicação da lei norte-americana. Agora, da mesma forma, se os bancos resolverem aplicar a lei internamente, eles não podem. E aí eles podem ser penalizados internamente”. Para ele seria preciso que a lei de lá fosse validada por cá, através de um processo legal.

Os bancos hoje subiram (bem pouco, mas subiram), como correção e como compreensão, como a de Moraes, de que as coisas vão se assentar: BB (BBAS3) ganhou 0,30%; Bradesco (BBDC4) avançou 0,32%; Itaú Unibanco (ITUB4) ficou com mais 0,06%; e Santander (SANB11) subiu com mais amplitude, 2,08%.

Trump pressiona Fed novamente

Não que Donald Trump, o presidente dos EUA, esteja assim tão preocupado com o Brasil. Ele tem outras coisas para meter a mão e balançar os mercados.

Hoje, por exemplo, voltou sua artilharia para o Federal Reserve novamente e pediu a renúncia de uma diretora. Bem no dia em que o banco central do país soltou a Ata da última reunião sobre política monetária, sem muitas novidades.

Aproveitou também para dar mais uma cutucada em Jerome Powell, presidente da instituição, dizendo agora que o Fed prejudica o setor imobiliário. “As pessoas não conseguem obter uma hipoteca por causa dele. Não há inflação, e todos os sinais apontam para um grande corte nos juros”, escreveu Trump em sua própria rede social, a Truth Social.

O ataque não é gratuito: na sexta-feira, a agenda de Powell tem um compromisso importante: seu último simpósio anual em Jackson Hole, onde falará sobre a política monetária e apontará caminhos.

Bolsas pelo mundo

É isso que tem travado o andamento dos mercados em Wall Street. Os principais índices por lá seguiram a cantilena de ontem: Nasdaq e S&P 500 em baixas amplas e Dow Jones oscilando. Há uma pedra no sapato que nem mesmo as tarifas elevadas parecem resolver: déficit dos EUA deve subir US$ 1 trilhão na próxima década, segundo órgão de fiscalização.

Na Europa, mais um dia de alta nos mercados. A taxa de inflação em julho se manteve dentro da meta do Banco Central Europeu, o que vem sendo um padrão nos últimos meses e é um problema a menos – embora o núcleo siga acima.

Comércio global busca soluções

Enquanto Trump aponta a metralhadora giratória do caos para onde quiser, o mundo se move, tentando escapar ileso. O banco central chinês manteve sua taxa de juros inalterada. E o gigante asiático mandou avisar: a China aumentou as importações de soja do Brasil e diminuiu as dos EUA. O agro brasileiro comemora. Além disso, a China se reaproximou de ninguém menos do que a Índia, recentemente taxada de forma brutal pelos EUA.

Tem mais: os presidentes Lula e Emmanuel Macron, da França, faltaram por telefone hoje por uma hora, e se comprometeram a concluir o tratado Mercosul e União Europeia. A França é ainda o maior entrave.

As exportações brasileiras vão bem, obrigado, e é preciso melhorar o escoamento e a infraestrutura. Por isso, o governo corre com leilão no terminal do Porto de Santos.

Em São Paulo, a sensação é que fora os ruídos do comércio exterior e da política, que não são poucos, a coisa até vai indo bem: analistas destacaram que, no geral, a temporada de balanços do 2T25 superou as projeções, mas já veem desaceleração no 3º trimestre por conta dos juros altos. Por conta do agro, que tem no primeiro trimestre seu melhor resultado, a economia brasileira normalmente desacelera no segundo semestre. É esperar para ver o quanto.

Vale em baixa e Petrobras em alta

Nesse interim, Vale (VALE3) recuou hoje: baixa de 0,45%, na esteira da queda do minério de ferro. Mas, além da recuperação curta dos bancos, a Petrobras (PETR4) aproveitou a alta do barril de petróleo e ganhou 0,60%.

Os demais setores terminaram também cambaleantes. As petroleiras juniores subiram igualmente com o petróleo, com analistas destacando Brava (BRAV3), que hoje subiu 1,56%. Os frigoríficos caíram 0,35% e 3,16% com BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3), após pedido de vistas no julgamento do Cade sobre a fusão das duas, mas viram Minerva (BEEF3) avançar 1,71%. Os varejistas tiveram baixa de 1,01% com Lojas Renner (LREN3) e altas de 1,69% com Vivara (VIVA3).

Destaque mesmo veio com as ações da Simpar (SIMH3), que dispararam 10,05%, após venda de controlada por valor bilionário.

Nesta quinta, os investidores acessarão dados dos PMIs (índice gerente de compras) dos EUA, Japão, zona do euro, Alemanha e outros. No Brasil, não há calmaria, enquanto a incerteza da relação com os EUA continuar. O que vai prevalecer?

 (Fernando Augusto Lopes)

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