Ibovespa fecha com ganhos, puxado por CSN e Petrobras, à espera do Copom

| Créditos: G1 Investing

O Ibovespa respirou um pouco e subiu 0,41%, aos 119.631 pontos, um ganho de 493 pontos. O dólar comercial passou o dia em baixa, mas virou e fechou com alta de 0,23%, a R$ 5,43. Já os juros futuros (DIs) terminaram a sessão com valorização, sobretudo os vértices mais longos.

A sessão de hoje poderia ter sofrido um abalo maior. O presidente Lula, em entrevista a uma rádio logo cedo, voltou a fazer duras críticas ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O mandatário disse que o comportamento da autoridade monetária está “desajustada” e que seu comandante não demonstra “nenhuma capacidade de autonomia”, mas “lado político” e um esforço em “prejudicar o país”.

“Nós só temos uma coisa no Brasil desajustada nesse instante: o comportamento do Banco Central. Essa é uma coisa desajustada. Um presidente do Banco Central que não demonstra nenhuma capacidade de autonomia, que tem lado político e que, na minha opinião, trabalha muito mais para prejudicar do que para ajudar o país. Porque não tem explicação a taxa de juros do jeito que está”, afirmou. “Temos uma situação que não necessita essa taxa de juros. O Brasil não pode continuar com uma taxa de juros proibitiva de investimento no setor produtivo. Como você vai convencer um empresário a fazer investimento se ele tem que pagar uma taxa de juros absurda? Então, é preciso baixar a taxa de juros compatível com a inflação”, prosseguiu. Para Lula, a inflação está totalmente controlada”.

Não é o que o próprio Copom e o mercado têm acenado. Amanhã, o Copom decide a nova Selic e as apostas do mercado são de que a nova Selic é a mesma Selic de agora. Ou seja, o BC não vai mexer em nada, parando o ciclo de queda. A maior parte (94%) dos gestores de multimercados com mandatos macro acredita que a autoridade monetária deve manter a taxa de juros em 10,50% ao ano. As casas também não veem mais chance de cortes ao longo de 2024. É isso o que mostra uma pesquisa feita pela XP com 33 casas entre os dias 5 e 12 de junho.

“Na minha opinião, a taxa vai, sim, se manter inalterada por conta dos dados de inflação que vieram mais altos. Acredito que a decisão não vai ser unânime. Aliás, o ideal é que seja mostrando que todos estão em linha. Mas acredito que não será e isso pode deixar o mercado nervoso no dia seguinte”, disse Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos.
“Com a saída do Campos Neto no fim do ano, vejo também que teremos um novo presidente do BC que vai tomar muito mais decisões políticas do que técnicas”.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, fez coro com Lula e afirmou que o nível de juros elevados no país inibem a captação de poupança e a própria concessão de crédito no país. “É evidente que o nível de juros, da taxa de juros básica no Brasil é restritivo e elevado e inibe não só a captação da caderneta de poupança como a própria concessão de crédito em diferentes modalidade, e dificulta o mercado de crédito imobiliário”, afirmou durante o evento CNN Talks, que discute o crédito para o Brasil.

“Investidores seguem com foco na deterioração da situação fiscal. Ontem, os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, conseguiram de certa forma limitar a desvalorização dos ativos locais ao falarem que existe coesão do governo federal com a pauta fiscal; mesmo com essa sinalização, o dólar fechou mais uma vez em alta”, pontuou a equipe da Commcor DTVM, em boletim a clientes.

A boa notícia é que o preço do arroz no Rio Grande do Sul caiu 6% no mês, apesar de toda a tragédia. Pode ajudar no combate à inflação?

Ibovespa sobe com Petrobras e CSN
Os atritos, porém, não impediram o crescimento do Ibovespa. Especialmente por conta de Petrobras (PETR4), que disparou 3,13%, após anunciar que aderiu a um acordo para encerrar disputa judicial, o que terá um impacto de R$ 11,9 bilhões no lucro líquido do segundo trimestre. “Embora o impacto do acordo seja marginalmente negativo para os dividendos da Petrobras no curtíssimo prazo, o anúncio foi bem recebido pelos investidores”, afirmaram analistas do BTG Pactual, destacando que o acordo implica desembolsos inferiores aos especulados pelo mercado nos últimos meses. De quebra, o petróleo internacional subiu mais uma vez com consistência.

Também puxando os ganhos esteve a CSN (CSNA3), que disparou 9,07%, depois de decisão favorável na Justiça, no longo litígio de R$ 5 bi contra Ternium.

Vale (VALE3) virou coadjuvante na sessão de hoje, não se posicionando entre as mais negociadas do dia. Terminou com alta de 0,46%, na esteira do minério de ferro na China.

O Ibovespa encontrou dificuldades no setor financeiro. As duas mais negociadas do dia são bancos e caíram: Bradesco (BBDC4) perdeu 2,01% e BB (BBAS3) caiu 1,40%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4), que passou grande parte da sessão no azul, acabou descendo 0,06%.

São Martinho (SMTO3), que divulgou balanço do quarto trimestre safra 23/24, perdeu 0,93%. O JPMorgan avalia que o resultado foi bom e dentro do esperado, explicado por fortes melhorias nos volumes de vendas nas operações de cana-de-açúcar, apesar do ambiente de mercado desafiador para o etanol, que continuou a pressionar os preços no trimestre.

Já Ambev (ABEV3) operou em queda, boa parte da sessão, mas terminou com leve alta, de 0,09%, com XP rebaixando a ação para neutra. Analistas esperam que a cervejaria continue a negociar com múltiplos baixos, principalmente devido ao potencial limitado de crescimento do lucro.

A quarta, como se vê, não será tão tranquila como esta terça. Tem alto potencial de tensão e os políticos e técnicos nem precisam dar declarações. O Copom vem aí. 

Por Fernando Augusto Lopes

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