Greve geral na Argentina cancela voos em Guarulhos
- porRedação
- 19 de Fevereiro / 2026
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| Créditos: Foto: Saul Schramm/Arquivo
A greve geral de trabalhadores na Argentina, convocada contra a reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei, provocou reflexos no Brasil nesta quinta-feira (19). No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP), voos com destino e origem no país vizinho foram cancelados.
De acordo com a concessionária GRU Airport, até as 8h, 14 voos haviam sido cancelados em razão da paralisação. Um novo balanço atualizado deve ser divulgado ao longo da tarde.
Em nota, o Grupo LATAM Airlines informou que precisou alterar sua operação de e para a Argentina em 19 de fevereiro, devido à greve geral anunciada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT). A companhia destacou que a decisão ocorreu após notificação formal de adesão dos sindicatos que representam trabalhadores da Intercargo, responsável pelos serviços de rampa nos aeroportos argentinos.
A Gol Linhas Aéreas também confirmou impactos na operação. Segundo a empresa, a greve inviabilizou as atividades aeroportuárias em Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário, resultando no cancelamento de voos programados para esta quinta-feira (19/02).
A LATAM informou ainda que parte das operações poderá sofrer apenas alteração de horário e/ou data, sem cancelamento definitivo. A recomendação das companhias é que os passageiros verifiquem o status dos voos antes de se deslocarem ao aeroporto. Clientes com voos cancelados ou reprogramados poderão remarcar a viagem sem custo ou solicitar reembolso integral.
Reforma trabalhista gera embate
A paralisação ocorre em meio à tramitação da ampla reforma trabalhista defendida pelo governo Milei. O texto, considerado uma das maiores mudanças na legislação argentina em décadas, revisa normas que, em sua maioria, remontam aos anos 1970.
Especialistas apontam que a proposta reúne dezenas de artigos e integra um pacote mais amplo de reformas estruturais voltadas à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao emprego e ao investimento no país.
Para garantir apoio político e acelerar a tramitação, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original. Entre as mudanças mais recentes, foi retirada a possibilidade de pagamento de salários em moeda estrangeira ou por meio de carteiras digitais, como as do Mercado Pago.
Principais mudanças previstas
Entre os principais pontos da reforma estão:
Férias mais flexíveis, com possibilidade de fracionamento em períodos mínimos de sete dias e negociação fora do calendário tradicional;
Restrições ao direito de greve em setores considerados essenciais, exigindo funcionamento mínimo entre 50% e 75%;
Ampliação do período de experiência para até seis meses, podendo chegar a oito ou 12 em alguns casos, com indenizações reduzidas;
Flexibilização da jornada de trabalho, permitindo até 12 horas diárias, com compensação conforme a demanda e sem pagamento automático de horas extras;
Mudanças na negociação coletiva, priorizando acordos locais em detrimento de convenções nacionais;
Redução e possibilidade de parcelamento das indenizações por demissão;
Limitação de pagamentos relacionados a licenças médicas e acidentes ocorridos fora do ambiente de trabalho, hoje cobertos pelo sistema da Aseguradora de Riesgos del Trabajo (ART);
Medidas de combate à informalidade, com eliminação de multas por falta de registro trabalhista e criação de mecanismos de regularização.
No mercado digital, trabalhadores de plataformas passam a ser formalmente reconhecidos como independentes, com regras específicas e seguro de proteção. O teletrabalho deixa de ter obrigações adicionais impostas durante a pandemia.
A reforma não se aplica a servidores públicos nacionais, estaduais ou municipais, com exceção das regras sobre greve em serviços essenciais, como saúde, transporte e segurança.
Dados da Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), por meio da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH) do terceiro trimestre de 2025, indicam que a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados, o equivalente a uma taxa de desocupação de 6,6%.






