Governo brasileiro revoga visto de assessor do governo Trump que pretendia visitar Bolsonaro

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil revogou nesta sexta-feira (13) o visto de Darren Beattie, assessor do governo do presidente dos Estados Unidos Donald Trump para assuntos relacionados ao Brasil.

Beattie planejava viajar ao país e visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília. A visita havia sido inicialmente autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira (10), mas a decisão foi posteriormente revertida.

Motivo da revogação

O visto havia sido concedido após solicitação feita em 6 de março pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos ao Consulado-Geral do Brasil em Washington.

Segundo o governo brasileiro, a revogação ocorreu porque houve omissão e possível falseamento de informações relevantes sobre o motivo da viagem, o que permite o cancelamento do documento conforme a legislação migratória. O caso também foi tratado com base no princípio da reciprocidade diplomática.

O Itamaraty informou ao ministro Alexandre de Moraes que o visto havia sido concedido para participação no Fórum Brasil‑EUA de Minerais Críticos, previsto para ocorrer em 18 de março, em São Paulo. A visita a Bolsonaro não constava entre os objetivos informados pelas autoridades norte-americanas.

Tentativa de agenda no Itamaraty

De acordo com informações divulgadas pelo Poder360, Beattie também buscou uma reunião com representantes do Itamaraty. A sondagem foi feita pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil na quarta-feira (11), mas não houve pedido formal de agenda, apenas trocas de mensagens por e-mail e WhatsApp.

Tensão diplomática

A decisão ocorre em meio a um momento de maior tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em relação a propostas recentes de cooperação em segurança apresentadas por Washington.

Entre os temas discutidos está a ampliação da cooperação no combate ao crime organizado internacional, envolvendo facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de redes transnacionais investigadas por autoridades norte-americanas.

O governo de Trump estuda classificar esses grupos como organizações terroristas, proposta que gera preocupação no governo brasileiro por possíveis conflitos com a legislação nacional e pelo risco de abrir precedentes para intervenções em território brasileiro.

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