Tereza Cristina assume Conselho do Agronegócio da Fiesp e destaca desafios do setor
- porRedação
- 11 de Fevereiro / 2026
- Leitura: em 7 segundos

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) assumiu, nesta segunda-feira (9), a presidência do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, um dos principais fóruns de debate do setor produtivo no país. A reunião de abertura dos trabalhos de 2026 teve como tema central “Os efeitos da geopolítica mundial no agronegócio brasileiro” e reuniu cerca de 100 representantes do setor, lideranças empresariais e autoridades.
Ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina ressaltou que o agronegócio brasileiro enfrenta um cenário global cada vez mais complexo, marcado pelo avanço de políticas protecionistas e por novas exigências comerciais impostas por grandes blocos econômicos. Em seu discurso, a parlamentar destacou que o Acordo Mercosul-União Europeia, assinado em janeiro de 2026, representa um avanço, embora esteja longe de atender plenamente aos interesses do setor.
“Esse não é, nunca foi, o acordo dos nossos sonhos, mas é o acordo possível. Ainda estamos distantes de uma pauta de livre comércio, mas já é um começo”, afirmou. Segundo ela, o modelo atual do acordo prevê salvaguardas consideradas desproporcionais, que podem limitar o crescimento das exportações brasileiras. No caso da carne bovina, por exemplo, os gatilhos automáticos de proteção estabelecem um limite de 5% de aumento nas exportações, percentual inferior ao volume que o Brasil já exporta atualmente, o que pode levar ao acionamento quase imediato de barreiras comerciais.
Ao abordar o cenário interno, Tereza Cristina apontou uma série de desafios para 2026, entre eles a reforma tributária, os juros elevados e o alto nível de endividamento do setor produtivo. A senadora também chamou atenção para o aumento de pedidos de recuperação judicial no agronegócio, reflexo das dificuldades enfrentadas por produtores e empresas do segmento. “Não podemos ignorar a pressão financeira que vem se acumulando sobre o setor”, alertou.
Empossada como presidente do Cosag, a senadora afirmou que dará continuidade ao trabalho desenvolvido por seu antecessor, Jacyr Costa, mantendo o conselho como espaço de articulação entre o setor produtivo e o poder público. “Queremos que o Cosag siga como referência da agroindústria nacional, contribuindo para um setor que é o mais pujante da economia brasileira”, declarou.
Durante o encontro, Tereza Cristina também destacou a importância estratégica de São Paulo no desempenho do agronegócio brasileiro, especialmente pela força da agroindústria. O estado ocupa a segunda posição no ranking nacional de exportações do setor, atrás apenas de Mato Grosso, com participação relevante nas vendas externas de produtos como açúcar, café, carnes e soja.
A senadora reforçou ainda que o Brasil deve continuar figurando como potência agrícola em 2026, com projeções de supersafra de grãos, apesar de oscilações pontuais em culturas como soja, milho e algodão. Para ela, a combinação de cenário eleitoral interno, manutenção de políticas protecionistas no exterior e exigências ambientais cada vez mais rigorosas exigirá do agronegócio maior organização, capacidade de diálogo institucional e estratégia de longo prazo.
Ao encerrar a reunião, Tereza Cristina afirmou estar pronta para ouvir o setor e atuar como ponte entre o agronegócio e o Congresso Nacional, especialmente nas discussões sobre o Acordo Mercosul-União Europeia e a implementação da reforma tributária. “Desafios não faltarão em 2026, mas o agro brasileiro tem resiliência para enfrentá-los. Nosso papel será construir soluções e defender a competitividade do Brasil no cenário internacional”, concluiu.
creditos assessoria






