Fraude em concurso da Polícia Civil de MS resulta em exclusão de candidato

| Créditos: Divulgação

O concurso público da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) foi marcado por um grave episódio de fraude após a identificação de um candidato que pagou R$ 70 mil para que outra pessoa realizasse a prova objetiva em seu lugar. Afitônio Angelo de Lima Junior foi descoberto durante as etapas do certame e acabou excluído oficialmente do concurso.

De acordo com informações preliminares repassadas ao portal Midiamax, a fraude ocorreu ainda na primeira fase do processo seletivo, quando o candidato contratou um terceiro para realizar a prova objetiva. Após a identificação da irregularidade, Afitônio foi convocado, interrogado pela Polícia Civil e assinou um termo de desistência do concurso.

A exclusão do candidato foi formalizada com o acompanhamento da Secretaria de Estado de Administração (SAD), órgão responsável pela gestão administrativa de todas as fases do certame. Segundo a PCMS, a fraude foi detectada durante o rigoroso processo de investigação social, que inclui monitoramento contínuo dos candidatos.

A irregularidade veio à tona após a constatação de divergências nas impressões digitais coletadas ao longo das etapas do concurso. A perícia técnica confirmou que a biometria registrada no gabarito da primeira fase não correspondia à digital do candidato colhida nas fases posteriores, comprovando a tentativa de burla.

Em nota oficial, a Polícia Civil informou que a investigação social permanece ativa durante todo o concurso, até a etapa final, com o objetivo de garantir a lisura do processo seletivo. “Essa fiscalização permanente visa assegurar a integridade do certame e garantir que apenas cidadãos de conduta ilibada ingressem nos quadros da segurança pública do Estado”, destacou a instituição.

Além da exclusão, Afitônio responderá criminalmente pelo crime de fraude em certame de interesse público, previsto no artigo 311-A, inciso I, do Código Penal. O caso foi registrado em boletim de ocorrência, e o inquérito policial está em fase final de conclusão. Até o momento, não há informações oficiais sobre a identidade da pessoa que realizou a prova no lugar do candidato.

Outras controvérsias no concurso

Além do episódio de fraude, o concurso da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul também tem sido alvo de diversas reclamações, especialmente relacionadas ao Teste de Aptidão Física (TAF). A etapa prática, realizada no dia 23 de novembro, motivou denúncias e ações judiciais por parte de candidatos, principalmente mulheres.

Segundo relatos, as condições climáticas adversas levaram a mudanças de última hora na aplicação do TAF, o que teria comprometido a isonomia e o desempenho técnico dos participantes. Entre as principais reclamações estão a realização da prova de corrida em uma pista improvisada em estacionamento, com percurso reduzido e curvas bruscas; falhas nos chips de cronometragem, que teriam levado avaliadores a utilizar medições visuais; além de desvantagem na largada, organizada em “fila indiana”.

Também houve questionamentos quanto à prova de flexão, com denúncias de critérios subjetivos de avaliação, falta de padronização dos movimentos e condições inadequadas do piso, descrito como escorregadio e excessivamente marcado pelo uso.

Apesar das controvérsias, a PCMS reforça que segue adotando medidas para garantir a transparência, a legalidade e a igualdade de condições entre todos os candidatos durante o processo seletivo.

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