Fim da piracema em MS se aproxima e reacende expectativa de pescadores e do turismo

| Créditos: Foto: Álvaro Rezende/Secom

O fim da piracema em Mato Grosso do Sul já tem data marcada: no próximo dia 28 de fevereiro termina o período de defeso nos rios das bacias do Paraguai e do Paraná. Para pescadores profissionais, esportivos e amantes da atividade, a contagem regressiva não representa apenas o retorno aos rios, mas também a retomada de uma cadeia econômica que movimenta o turismo, o comércio e os serviços em diversas regiões do Estado.

Durante o período de reprodução dos peixes, a fiscalização foi intensificada para garantir a preservação dos estoques pesqueiros. De acordo com balanço da Polícia Militar Ambiental (PMA), a Operação Piracema já resultou na aplicação de mais de R$ 51 mil em multas e na apreensão de aproximadamente 340 quilos de pescado irregular. As ações de monitoramento percorreram mais de 8 mil quilômetros por terra e por água, com atenção especial aos rios da Bacia do Paraguai, considerados áreas sensíveis à pesca predatória.

O rigor da fiscalização é apontado como essencial para assegurar uma temporada mais produtiva ao longo do ano. A expectativa é de que o respeito ao período de defeso resulte em rios mais equilibrados e com maior oferta de peixes, garantindo segurança ambiental e sustentabilidade à atividade pesqueira em 2026.

Mulheres que pescam e respeitam o tempo do rio

Enquanto a abertura oficial não chega, grupos de pescadores vivem a expectativa com planejamento e consciência ambiental. Um exemplo é o grupo “Pescaria das Patroas”, formado por mulheres que encontraram na pesca esportiva uma forma de lazer, autonomia e conexão com a natureza.

Segundo Claudine de Oliveira, uma das organizadoras, o grupo surgiu de maneira despretensiosa, em um churrasco realizado em 2021, e rapidamente se transformou em um movimento que reúne mulheres interessadas em sair da rotina e ocupar os rios com responsabilidade. Para elas, a espera pelo fim da piracema é encarada com ansiedade, mas também com respeito ao ciclo natural dos peixes.

Claudine destaca que a fiscalização rigorosa durante o defeso é fundamental para garantir boas condições na abertura da temporada. “A gente sabe que só vai ter peixe se o período de descanso do rio for respeitado. Por isso, a espera faz parte”, afirma.

O foco do grupo agora é a preparação para a 10ª edição do evento organizado pelas integrantes, marcada para abril, no Rio Paraguai. O encontro deve reunir participantes de várias regiões do Estado para quatro dias de pesca esportiva, convivência e contato direto com o Pantanal. Desde a revisão dos equipamentos até a escolha de piloteiros experientes, tudo é planejado com antecedência.

“A ideia é largar tudo por alguns dias, aproveitar o silêncio do rio e voltar com boas memórias. A pesca, que antes era vista como um espaço predominantemente masculino, hoje também tem o comando das mulheres”, conclui Claudine.

Até o dia 28 de fevereiro, a pesca permanece proibida, e a recomendação é que pescadores e turistas aguardem o fim do período de defeso, contribuindo para a preservação dos rios e para uma temporada mais sustentável em Mato Grosso do Sul.

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