Família contesta conclusão de IPM sobre morte de soldado no CMO e cobra responsabilização
- porRedação
- 24 de Janeiro / 2026
- Leitura: em 8 segundos

A conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou a morte do soldado Dhiogo Melo Rodrigues, ocorrida dentro do Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande, não esclareceu responsabilidades nem afastou suspeitas de falhas institucionais. A avaliação é da família do militar, que divulgou posicionamento público nesta semana contestando o resultado da investigação.
Segundo os familiares, o encerramento do IPM deixou sem resposta questões consideradas centrais sobre as circunstâncias da morte de Dhiogo, encontrado gravemente ferido enquanto exercia serviço de sentinela no Forte Pantanal. Para a família, o relatório limita-se a afirmar que o soldado possuía aptidão técnica para o manuseio de arma de fogo, sem apresentar laudo psicológico individual que comprovasse sua aptidão emocional para o serviço armado.
“Aptidão técnica não se confunde com aptidão psicológica. Em nenhum momento foi apresentado documento que comprovasse que Dhiogo estava emocionalmente apto para exercer serviço armado isolado”, diz trecho da nota divulgada.
Outros pontos também seguem sem esclarecimento, conforme a família, como a ausência de perícia no local do óbito, a retenção do telefone celular da vítima, a falta de transparência institucional e a inexistência de informações públicas sobre protocolos de prevenção adotados pela Administração Militar.
“Dhiogo entrou vivo no quartel e saiu morto. Estava sob custódia do Estado, cumprindo ordem superior, em ambiente controlado e com armamento fornecido pela própria Administração Militar”, afirmam os familiares, destacando que, nessas condições, o dever de proteção do Estado é reforçado.
Ainda de acordo com a família, foi protocolada uma petição formal no Ministério Público Militar, solicitando acesso integral ao IPM e manifestação sobre quais providências serão adotadas. Também estão em preparação medidas judiciais indenizatórias, com base na responsabilidade objetiva da União, prevista no artigo 37 da Constituição Federal.
“Não é apenas um pedido por justiça individual. É um alerta. Nenhuma família deveria receber silêncio no lugar de respostas”, afirma outro trecho da manifestação. “A família de Dhiogo Melo Rodrigues não vai se calar”.
Relembre o caso
Dhiogo Melo Rodrigues morreu no dia 27 de outubro de 2025, após ser encontrado gravemente ferido em um posto de serviço no aquartelamento do Forte Pantanal, em Campo Grande. À época, o Comando Militar do Oeste informou que o soldado estava sozinho no local e foi socorrido ao Hospital Militar de Área de Campo Grande, onde não resistiu.
Em nota divulgada no dia seguinte, o CMO afirmou que prestava apoio social, psicológico e espiritual à família e que um Inquérito Policial Militar seria instaurado para apurar as circunstâncias do ocorrido.
A conclusão do IPM, agora questionada pelos familiares, encerra a apuração administrativa militar, mas não impede o avanço de outras medidas nas esferas judicial e ministerial.






