Falta de médicos e escassez de leitos hospitalares afligem o interior de Mato Grosso do Sul, revela censo

Uma análise detalhada da distribuição de médicos e leitos hospitalares no estado de Mato Grosso do Sul, realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), trouxe à tona uma realidade preocupante: enquanto a média geral do estado apresenta números aparentemente satisfatórios, os desafios no interior são consideráveis.

Com uma população de 2,8 milhões de habitantes, Mato Grosso do Sul conta com 8.494 médicos, o que representa uma média de 3,02 médicos para cada 100 mil habitantes, superando a média nacional e ultrapassando estados vizinhos como Mato Grosso e Goiás. No entanto, quando se analisa especificamente o interior do estado, essa média cai para alarmantes 1,93 médicos a cada 100 mil habitantes, evidenciando uma disparidade significativa.

Dos 8.494 médicos registrados, apenas 3.655 estão distribuídos pelos 78 municípios do interior, enquanto a maioria concentra-se na capital, Campo Grande. Esta última desfruta de uma média de 5,28 médicos para cada 100 mil habitantes. No entanto, mesmo com um aumento na média geral de médicos por habitante desde 2010, a desigualdade persiste e é cada vez mais evidente quando se trata do acesso à saúde fora das áreas metropolitanas.

A concentração de médicos em grandes centros urbanos e regiões economicamente desenvolvidas é destacada pelo próprio CFM, que aponta as dificuldades enfrentadas por áreas menos favorecidas, especialmente no interior, para atrair e manter profissionais de saúde qualificados. O movimento pendular dos médicos, muitas vezes residindo em cidades próximas às capitais, dificulta ainda mais a análise precisa da distribuição por município.

Além da escassez de profissionais, a falta de leitos hospitalares é outra questão preocupante. Com 5.979 leitos disponíveis para internação, o estado possui uma média de apenas 1,5 leito hospitalar público para cada mil habitantes, muito abaixo das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indicam entre 3 e 5 leitos por mil habitantes.

Os números do Ministério da Saúde refletem a realidade dos hospitais públicos em Mato Grosso do Sul, frequentemente superlotados devido à inadequação da oferta de leitos em relação à demanda da população. O fechamento de leitos ao longo dos anos agrava ainda mais essa situação, com dados mostrando uma redução de 1.160 leitos entre 2005 e 2010, enquanto o crescimento populacional continuou a aumentar.

Entre 2010 e abril de 2023, o estado abriu apenas 328 leitos hospitalares, um número insuficiente para acompanhar o aumento populacional, que ultrapassou os 390 mil habitantes no mesmo período, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses dados apontam para uma urgente necessidade de políticas e investimentos para garantir acesso equitativo aos serviços de saúde em todo o estado.

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