Ex-ministro de Dilma tentou viabilizar entrada do Banco Master no Minha Casa, Minha Vida
- porRedação
- 29 de Janeiro / 2026
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O ex-ministro do Esporte no governo Dilma Rousseff (PT), Ricardo Leyser Gonçalves, atuou para tentar incluir o Banco Master no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), em um modelo que previa a participação de instituições financeiras privadas sem qualquer tipo de subordinação administrativa ou financeira à Caixa Econômica Federal. A proposta foi apresentada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante reuniões e formalizada em um ofício encaminhado, em março de 2024, ao ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho.
No documento de 16 páginas, Leyser afirma que, na condição de diretor da VBG Engenharia e Empreendimentos, a empresa desenvolveu instrumentos operacionais voltados ao Minha Casa, Minha Vida em parceria com o Banco Master, o Banco Digimais e o Banco Genial. Segundo ele, a proposta foi discutida em 23 estados, em encontros que reuniram mais de 1,2 mil gestores municipais.
A iniciativa tinha como objetivo permitir a participação de bancos privados na construção de moradias em municípios com até 80 mil habitantes. Nesse modelo, as instituições financeiras receberiam recursos da União e ficariam responsáveis por contratar construtoras para executar as obras.
Ao defender a proposta, Leyser argumentou que a chamada modalidade de Oferta Pública poderia trazer mais agilidade à execução do programa habitacional. Para ele, a natureza privada das instituições permitiria maior flexibilidade operacional, especialmente em cidades de pequeno porte. “São instituições mais enxutas, com grande capacidade operacional e enorme flexibilidade para criar sistemas e processos que atendam às necessidades do Novo Minha Casa, Minha Vida”, sustentou no ofício.
No documento encaminhado ao Ministério das Cidades, o ex-ministro defendeu que os bancos privados atuassem de forma paralela à Caixa Econômica Federal, sem qualquer tipo de dependência. Segundo ele, não havia intenção de substituir ou concorrer diretamente com a Caixa, considerada o principal agente do programa, mas sim criar uma capacidade adicional de execução, conforme previsto na legislação que recriou o MCMV.
Leyser também afirmou que subordinar a atuação das instituições privadas à Caixa inviabilizaria a participação dos bancos e não estaria prevista na Lei Federal nº 14.620, de julho de 2023. Ele ressaltou ainda que as instituições envolvidas seriam financeiramente saudáveis, com capital suficiente e capacidade de assumir os riscos da contratação das construtoras, sem a necessidade de intervenção de um agente público.
Apesar das articulações, a proposta não avançou. Segundo fontes do governo, houve pressão para a realização das reuniões, mas a modalidade não foi implementada por falta de regulamentação. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, em meio a fraudes estimadas em R$ 12,7 bilhões.
Procurado, o Ministério das Cidades informou que representantes da pasta receberam Ricardo Leyser para tratar da linha MCMV – Oferta Pública Sub-80, mas destacou que a modalidade nunca foi regulamentada e não possui dotação orçamentária para operar. A coluna não conseguiu contato com Leyser, e o espaço segue aberto para manifestação.






