Ex-desembargador Divoncir Maran depõe à PF em investigação sobre venda de sentenças
- porRedação
- 03 de Abril / 2025
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O ex-desembargador Divoncir Schreiner Maran prestou depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (2) no âmbito da operação Ultima Ratio, que investiga um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Afastado em fevereiro de 2023 por conceder liberdade ao traficante Gerson Palermo, condenado a 126 anos de prisão, Maran retornou ao cargo em abril do mesmo ano por decisão do Supremo Tribunal Federal. No entanto, três dias depois, aposentou-se compulsoriamente ao completar 75 anos.
A investigação da Ultima Ratio, que mantém afastados quatro desembargadores, um juiz e um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, não está diretamente ligada à soltura de Palermo, mas a outras decisões suspeitas. Entre elas, a que beneficiou o conselheiro Osmar Jerônymo, afastado desde outubro de 2023, na posse de parte de uma fazenda em Bela Vista.
A PF também apura a sociedade entre os filhos de Maran e de outro desembargador afastado, Marcos José Brito, em um escritório de advocacia, além de movimentações financeiras suspeitas em contas de seus familiares. Entre elas, depósitos de R$ 1,7 milhão relacionados à suposta venda de gado e a compra de um imóvel de R$ 3,98 milhões em transação que envolve Waldir Neves, outro conselheiro do TCE afastado.
No depoimento, realizado por videoconferência, Maran permaneceu em silêncio. Seu filho, Divoncir Maran Júnior, se recusou a fornecer o contato do advogado e alegou sigilo processual.
A denúncia sobre a libertação de Palermo segue em tramitação no Conselho Nacional de Justiça, que adiou o julgamento para até setembro deste ano.