EUA não têm moral para falar de censura no Brasil, avaliam fontes

Logo do Departamento de Estado dos EUA | Créditos: REUTERS/Joshua Roberts


Fontes do governo brasileiro avaliam que os Estados Unidos não têm "credibilidade" para fazer críticas sobre liberdade de expressão no Brasil. A reação surgiu depois que uma autoridade do Departamento de Estado americano acusou o governo brasileiro de censura, após o X anunciar uma atualização de regras em cumprimento à legislação eleitoral.

A subsecretária de Estado para Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Sarah B. Rogers, disse que a mudança anunciada pela plataforma "marca a censura imposta pelo Brasil".

Uma das fontes do governo brasileiro argumentou que os EUA mais uma vez repetem o discurso de censura quando o próprio governo americano estaria analisando as contas de redes sociais de jornalistas estrangeiros para condicionar a concessão de vistos às suas posições ideológicas. "Os EUA não podem ser juízes de ninguém", disse.

O interlocutor afirmou que o governo de Donald Trump "carece de credibilidade e está se metendo com claro objetivo", como quando pressionou para que o Brasil encerrasse os processos contra Bolsonaro e os envolvidos na tentativa de golpe.

A acusação de censura da subsecretária foi vista como uma repetição das críticas feitas anteriormente pelo governo americano sobre questões envolvendo liberdade de expressão e redes sociais.

Em 2025, o governo Trump chegou a aplicar sanções da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, acusando o ministro do Supremo Tribunal Federal de promover censura e perseguições políticas, inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Interferência política

Fontes do governo brasileiro também reagiram negativamente à possibilidade de reaplicação da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes pelos Estados Unidos, segundo apuração do jornal Financial Times. Um interlocutor do governo Lula afirmou que vê uma eventual nova sanção contra Moraes como interferência política dos EUA.

De acordo com a reportagem, a medida voltou a ser discutida após Moraes autorizar a polícia a fazer buscas contra o jornalista do Maranhão, Luís Pablo Conceição Almeida, que publicou informações sobre suposto uso irregular de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino.

A investigação acabou identificando uma das fontes do jornalista, o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim, que também foi alvo de buscas. O episódio abriu um debate sobre uma eventual violação do direito constitucional dos jornalistas ao sigilo da fonte.

Uma fonte diplomática afirmou que a possibilidade de novas medidas contra Moraes não seriam uma surpresa e acrescentou que a eventual medida vai na mesma direção da pauta da direita, de bater no Supremo Tribunal Federal e especialmente no juiz Alexandre de Moraes.

Segundo o diplomata, a regulamentação das big techs no Brasil também explica a rejeição do governo americano a Moraes. "O Brasil é o segundo maior mercado para as big techs dos EUA, talvez a regulamentação deveria ter ficado para depois das eleições", avalia.

O conjunto de novas regras para big techs no Brasil foi consolidado em junho de 2026, quando o STF encerrou os recursos sobre o tema e estabeleceu o "dever de cuidado", derrubando a exigência anterior de ordem judicial prévia para a remoção de conteúdos criminosos.

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