Especialista afirma que formação de tornados em Mato Grosso do Sul é questão de “quando”, não de “se”

| Créditos: Foto: Geone Bernardo


A ocorrência de tornados em Mato Grosso do Sul (MS) nas próximas décadas é considerada inevitável, conforme a avaliação do geógrafo Charlei Aparecido da Silva, especialista em mudanças climáticas. O pesquisador explica que o aumento da probabilidade de eventos extremos se deve à combinação de fatores locais e globais que criam um ambiente propício para a formação do fenômeno.

Causas e Áreas de Risco

O geógrafo da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) aponta que os tornados se formam a partir do encontro de massas de ar frio e quente sobre o continente. Essa dinâmica tem sido intensificada pela maior frequência de ciclones extratropicais no Oceano Atlântico, um fenômeno ligado ao aquecimento global.

No âmbito regional, a ausência de vegetação nativa na região Centro-Sul do Estado é um fator determinante. A falta de cobertura vegetal favorece o aquecimento do solo e do ar, intensificando as condições atmosféricas necessárias para a criação de um tornado. Por conta dessa característica, a área do Centro-Sul, marcada pela grande presença de produção agrícola, é a mais suscetível a esses eventos extremos, que já foram registrados historicamente em cidades como Ivinhema (1989) e Dourados (2010).

Previsão e Cultura de Prevenção

Embora a ocorrência de tornados seja um fenômeno natural, ele é classificado como evento extremo devido aos severos danos que pode causar à sociedade. O especialista reforça a importância de se criar uma cultura de prevenção, visto que é tecnicamente possível prever a formação do fenômeno com alta precisão. Segundo Charlei, alertas podem ser emitidos com até cinco horas de antecedência com cerca de 90% de chance de acerto.

Fonte: Campo Grande News

Compartilhe: