Escritório Social fortalece reinserção de egressos do sistema prisional em Mato Grosso do Sul
- porRedação
- 15 de Janeiro / 2026
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O serviço busca impedir que o egresso volte à invisibilidade social, garantindo atendimento humanizado, acesso a direitos básicos e apoio direto à inserção no mercado de trabalho. Os resultados demonstram a expansão da política: em 2024 foram registrados 1.153 atendimentos, número que saltou para 2.132 em 2025. Para este ano, a meta é assegurar uma vaga de trabalho para todos os egressos e seus familiares.
A trajetória de Joanice da Guia de Jesus, 54 anos, exemplifica esse impacto. Após cumprir dez anos de pena, ela encontrou no Escritório Social o suporte para reconstruir a própria vida. Enfrentando preconceito ao deixar o sistema prisional, foi acolhida pela equipe, atuou na própria unidade, concluiu curso de Informática Básica e, em 2025, abriu uma empresa voltada ao aluguel de itens de buffet e à produção de bolos. “O Escritório Social virou meu ponto de apoio. É ali que a gente percebe que não está sozinho. Encontrei a chance de ser vista como pessoa novamente”, relata.
História semelhante é a de Gustavo Henrique Fonseca Miranda, 21 anos, que em regime aberto, usando tornozeleira eletrônica, quase desistiu de buscar emprego após sucessivas recusas. Encaminhado ao Escritório Social pelo Patronato Penitenciário, recebeu capacitação e acompanhamento e, em poucos dias, conseguiu uma vaga em um hospital de Campo Grande. “Antes eu era visto como bandido. Hoje sou trabalhador. Isso muda tudo”, afirma.
O Escritório Social conta com equipe multiprofissional formada por assistentes sociais, psicólogos e técnicos, oferecendo orientação jurídica, encaminhamento às redes de saúde, educação e assistência social, além de capacitação e apoio à empregabilidade. Somente em 2025, 307 pessoas tiveram garantido o direito à documentação civil básica, passo essencial para acessar políticas públicas e oportunidades de trabalho. No mesmo período, 99 usuários concluíram o curso de Informática Básica, além de oficinas de currículo, postura profissional e acompanhamento social contínuo.
A diretora do Escritório Social, Tânia Harden, destaca que o espaço foi estruturado para promover autonomia. “Nosso objetivo é apoiar o egresso e sua família para que superem obstáculos e não retornem à invisibilidade, garantindo acesso aos direitos e condições para um novo projeto de vida”, afirma.
Para a diretora de Assistência Penitenciária da Agepen, Maria de Lourdes Delgado Alves, o atendimento individualizado é estratégico para reduzir a reincidência. “O trabalho é voltado às vulnerabilidades e riscos sociais, fortalecendo vínculos de pertencimento e possibilitando que o egresso construa novas estratégias de vida”, explica.
O serviço funciona de forma integrada a uma ampla rede de parceiros, entre eles o Ministério do Trabalho e Emprego, fundações de trabalho, organizações da sociedade civil, secretarias municipais e grupos de apoio, ampliando as chances de reinserção social. Em Campo Grande está localizada a sede do Escritório Social, enquanto no interior do Estado o atendimento aos egressos é realizado pelos Patronatos Penitenciários, que também oferecem acompanhamento e orientação para o recomeço.






