Entrevista exclusiva: Polêmica sobre doações da Receita divide opiniões entre filantropia e defesa do comércio local
- porRedação
- 24 de Outubro / 2025
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| Créditos: Reprodução/CDL
A polêmica sobre a destinação de mercadorias apreendidas pela Receita Federal e doadas a instituições filantrópicas para revenda em bazares ganhou um novo capítulo com a sugestão de um modelo alternativo que visa proteger o comércio formal. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-CG), Adelaido Figueiredo, em entrevista exclusiva à jornalista Alcina Reis do portal Conteúdo MS, defendeu a realização de leilões dos itens doados como solução para o impasse.
O debate, que polariza o apoio às entidades sociais e a defesa da economia formal, concentra-se no argumento da CDL de que a revenda dos produtos, que chegam ao mercado sem a incidência de tributos, cria uma concorrência desleal para o varejo da capital sul-mato-grossense.
Posição da CDL: Crítica à Revenda e Proposta de Leilão

| Créditos: Arquivo pessoal
Adelaido Figueiredo esclareceu que a CDL não se opõe à prática da doação em si, desde que os produtos beneficiem "pessoas que efetivamente precisam" e que não comprometam a "vida do consumidor". A crítica central da entidade, que representa o varejo local, reside no mecanismo de revenda:
"A CDL é contra o fato de a Receita Federal, com um ato de 'bondade', acabar doando produtos para que as entidades os revendam no mercado a 'preços irrisórios'", afirmou Figueiredo, reiterando que a prática "tira o consumidor das nossas lojas" e compromete a "espinha dorsal da economia" ao reintroduzir produtos irregulares no mercado, mesmo que em bazares.
Como solução para não prejudicar o comércio, o presidente da CDL-CG propôs que o Poder Público utilize o mecanismo de leilão para os produtos apreendidos. "Uma das formas de não prejudicar o comercio seria o leilão dos itens doados e que a receita passasse o valor arrecadado diretamente às instituições," disse Adelaido.
O Contraponto e a Busca por Financiamento
Durante a entrevista, a jornalista Alcina Reis, conhecida por seu trabalho no Conteúdo MS, trouxe um contraponto prático ao questionar a alegação de "preços irrisórios". A jornalista sugeriu que, em visitas a locais de venda como o Albano Franco, os valores praticados "não estavam tão irrisórios assim", indicando que a narrativa sobre a deslealdade dos preços poderia ser mais "marketing do que real".
Reis também questionou Figueiredo sobre qual seria a alternativa para as entidades, já que a venda dos produtos ajudam muito as suas obras sociais.
Em resposta, além da proposta do leilão, o presidente da CDL apresentou a defesa de um modelo de subsídio governamental para o financiamento das obras sociais. Figueiredo argumenta que as instituições de caridade deveriam ser financiadas pelos Governos (municipal, estadual ou federal), alegando a existência de "dotação orçamentária" e "recurso para isso".
Segundo ele, o empresário já cumpre seu papel social ao pagar impostos para gerar lucro e empregos. A doação de bens para revenda, por outro lado, transformaria as entidades em "vendedoras de produtos", gerando o conflito que a CDL busca solucionar.






