🌿 É Preciso Resiliência Para Ter Pertencimento

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Sempre achei que a busca por pertencimento fosse algo simples. Uma equação direta: você se encaixa em um grupo, concorda com as ideias, e voilà, você pertence. A realidade, porém, é bem mais complexa, matizada e, muitas vezes, dolorosa. É aí que a resiliência entra em cena, não como um mero coadjuvante, mas como o próprio motor da jornada.

Pertencer não é o mesmo que caber. Caber é passivo; você se dobra, se diminui ou se contorce para preencher um espaço já definido. Pertencer, por outro lado, é ativo e exige uma coragem imensa: a coragem de ser você mesmo, com todas as suas arestas, na presença dos outros, e ser aceito (e aceitar-se) assim.

A verdade inconveniente é que o caminho para o pertencimento é pavimentado por rejeições, desentendimentos e a constante necessidade de se redefinir. Lembro-me da época em que tentei, desesperadamente, pertencer a um certo círculo profissional. Eu falava a mesma língua, vestia as mesmas roupas, adotava as mesmas gírias. Por um tempo, funcionou. Mas era exaustivo. Eu estava gastando toda a minha energia não para ser, mas para parecer.

E o que acontece quando a máscara cai, ou quando o grupo evolui para um lugar onde seu "eu" moldado não se encaixa mais? O sentimento de exclusão é devastador. É neste abismo que a resiliência faz sua entrada triunfal.

Resiliência, neste contexto, não é apenas "aguentar o tranco" ou "dar a volta por cima" após uma falha. É a capacidade de processar a dor da exclusão – seja ela explícita ou sutil – e usá-la como uma bússola. É a voz interna que diz: 

“Fui rejeitado por tentar ser quem não sou, mas não serei rejeitado por ser quem eu sou de verdade.”

Para ter um pertencimento genuíno, aquele que nutre a alma, é preciso ser resiliente ao não-pertencimento. É preciso resistir à tentação de se anular em prol da aceitação fácil. É preciso ter a casca grossa o suficiente para lidar com a crítica e o coração aberto o bastante para entender que nem todo lugar é o seu lugar, e que isso está tudo bem.

O verdadeiro pertencimento, aquele que nos faz sentir inteiros, é encontrado quando paramos de procurar por um espaço onde caber e passamos a procurar por pessoas e lugares onde ser. E essa busca, meus caros, exige a resiliência de quem se conhece profundamente, aceita sua própria imperfeição e está pronto para apresentá-la ao mundo, sem medo da reação.

No final, o maior ato de resiliência é a persistência em ser autêntico. Porque só quando você é você, sem reservas, é que o pertencimento que chega é, finalmente, seu por direito, e não por concessão.

A resiliência, para mim, é como a Fênix. Ela não apenas resiste ao fogo, mas renasce das cinzas, mais forte e mais autêntica a cada ciclo de destruição e reconstrução. E assim sou eu. Cada vez que a rejeição me consome, ou que a tentativa de me encaixar falha, eu me desfaço, sim, mas não sem antes coletar os fragmentos valiosos das lições aprendidas. 

Desses restos, eu me ergo novamente, com as asas da minha identidade mais definidas, com a chama da minha essência mais brilhante, e com a certeza de que o verdadeiro lar é onde eu posso ser a minha versão mais pura, imune às chamas da conformidade.

Por Alcina reis

| Créditos: Arquivo pessoal

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