Dólar cai, e Bolsa fecha em alta histórica após aproximação de Trump e Lula
- porUOL
- 23 de Setembro / 2025
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O dólar voltou a recuar no pregão de hoje ao menor valor desde junho do ano passado, ao cair 1,10%, vendido a R$ 5,279, e a Bolsa de Valores renovou o recorde histórico nominal de fechamento ao subir 0,91%, aos 146.424 pontos.
O movimento refletiu o anúncio de que o presidente norte-americano, Donald Trump, e o brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vão se encontrar em meio à pior crise diplomática já vivida pelas duas nações. No mercado financeiro, a esperança é de um avanço nas negociações sobre as tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos neste ano a produtos importados do Brasil.
O que aconteceu
O dólar comercial recuou 1,10%, vendido a R$ 5,279. Com o fechamento na sessão de hoje, a moeda norte-americana volta ao menor valor desde 06 junho de 2024, quando fechou em R$ 5,2498. O dólar turismo, usado por quem viaja, caía 0,88%, vendido a R$ 5,497.
O Ibovespa, principal índice acionário da B3, subiu 0,91%, para 146.424,94 pontos, e atingiu nova máxima histórica de fechamento. O índice ultrapassou os 145.878,33 pontos alcançados na sessão de sexta-feira (19), quando o avanço nas ações de grandes bancos e o otimismo com o diferencial de juros entre os Estados Unidos e o Brasil marcaram o pregão. Entre as ações mais negociadas, destacaram-se as ações preferenciais (com prioridade no recebimento de dividendos) da Petrobras (PETR4), que subiram 1,94%, e as ordinárias (com direito a voto) do Banco do Brasil, que avançaram 2,56%.
Com o bom humor dos investidores, o Ibovespa também ultrapassou os 147 mil pontos, na máxima do dia, e renovou recorde intradiário. Pela primeira vez, o Ibovespa tocou os 147.178,47 pontos, o maior valor da história em algum momento do pregão (e não necessariamente no fechamento). A marca batida foi a dos 146.387,69 pontos também na última sexta-feira.
Trump disse em seu discurso na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) que havia encontrado com Lula nos bastidores e combinado um encontro; o governo brasileiro posteriormente confirmou. Ainda não foi marcada uma data para a reunião.
Devo dizer que eu estava entrando e o líder do Brasil estava saindo. Nós nos vimos. Eu o vi, ele me viu e nós nos abraçamos. E então eu estou dizendo. Você acredita que eu vou dizer isso em apenas dois minutos? Mas nós realmente concordamos que nos encontraríamos na próxima semana. [...] Eu só faço negócio com pessoas de que gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 30 segundos, tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal.
Donald Trump, presidente dos EUA
Em seu discurso, antes, Lula havia criticado as sanções impostas pelos EUA ao Brasil por causa do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ontem, o governo dos EUA estendeu a Lei Magnitsky a Viviane Barci, esposa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, e revogou o visto de Jorge Messias, advogado-geral da União, e de outras cinco autoridades.
O mercado reagiu positivamente à fala de Trump por sinalizar uma aproximação com o Brasil e um possível alívio nas tensões bilaterais, o que favorece empresas brasileiras. "Estamos vendo na prática os efeitos negativos em vários setores que não estão exportando na medida que gostariam, ou até mesmo não estão mais exportando desde que as tarifas foram aplicadas em 50%. Embora fosse algo muito antecipado pelo modo desoperante do Trump, em que ele coloca algo bem negativo, depois dialoga, muitas pessoas tinham baixado um pouco a esperança depois de que realmente as tarifas estavam sendo implementadas, que o tempo estava passando e, principalmente, que o presidente Lula não tinha baixado a guarda", afirmou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
É claro que o mercado financeiro vai celebrar, afinal tem muita empresa que está sendo prejudicada e que pode ser beneficiada, seja no mercado de ações, seja no mercado de dívidas. E o presidente Lula sai forte porque ele em nenhum momento voltou atrás na sua posição e quem teve que voltar atrás foi o presidente americano.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos






