Doadora de Ribas do Rio Pardo salva vida após ser compatível em transplante de medula óssea
- porRedação
- 09 de Março / 2026
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Uma moradora de Ribas do Rio Pardo viveu uma experiência transformadora após ser chamada para realizar a doação de medula óssea para um paciente brasileiro. A convocação foi feita pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), e o transplante foi realizado em 28 de outubro de 2025.
O cadastro da doadora havia sido feito quando ela tinha 18 anos, durante uma campanha de doação no município. O convite para integrar o Redome surgiu enquanto ela participava de ações de doação de sangue promovidas pelo Rotary International. Assim que atingiu o peso mínimo exigido, passou a doar regularmente.
“Eu tinha 17 anos quando consegui doar sangue pela primeira vez”, lembra.
O cadastro como doadora de medula veio pouco tempo depois. Na ocasião, ela chegou a hesitar.
“Perguntei se doía. Me explicaram que naquele momento era apenas o cadastro e que a chance de compatibilidade é rara, mas que, se acontecesse, entrariam em contato”.
Ela autorizou a inclusão dos dados e seguiu a rotina normalmente, mantendo sempre o mesmo telefone e endereço cadastrados.
O telefonema inesperado
No ano passado, recebeu uma mensagem perguntando se poderia ir a Campo Grande para realizar exames após uma suspeita de compatibilidade com um paciente que aguardava transplante.
Ainda não era uma confirmação de doação. Ela realizou a coleta de sangue e aguardou o resultado. O prazo informado era de até 180 dias.
Com cerca de 175 dias, veio a confirmação de compatibilidade. Perguntaram se ela gostaria de continuar com o processo.
“Eu disse sim na hora”, conta.
Mãe de Liz, de 7 anos, e Leonardo, que tinha 1 ano e 7 meses na época, ela precisou reorganizar a rotina familiar para permanecer alguns dias fora de casa.
“Não hesitei, mas logo pensei: como vai funcionar? Tenho duas crianças pequenas”.
Como funciona a doação
A doadora foi encaminhada para São Paulo, onde realizou exames complementares e recebeu orientações médicas sobre os dois métodos de doação: punção na região da bacia ou coleta por aférese, técnica indicada para o caso dela.
Na doação por aférese, o doador recebe medicação por alguns dias para aumentar a quantidade de células-tronco no sangue. Em seguida, o sangue é coletado por uma máquina que separa as células necessárias e devolve o restante ao organismo.
Todo o procedimento é realizado em centro especializado e custeado pelo Redome, pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e pelo Ministério da Saúde.
Ela permaneceu cerca de seis horas ligada ao equipamento.
“Eles explicam tudo com muita clareza. Me senti segura o tempo todo”.
Desafios longe da família
Ao todo, foram nove dias em São Paulo. O período longe da família foi o momento mais difícil.
“Ficar nove dias longe deles pesou muito. Meu filho ainda era muito pequeno. Eu já não amamentava, mas o apego é muito forte. Mas eu sabia que era por uma causa valiosa”.
Também havia a possibilidade de uma segunda coleta, caso a quantidade de células não fosse suficiente. Quando recebeu a confirmação de que a primeira havia sido suficiente, se emocionou.
“Quando a médica disse que tinha dado certo e que não precisaria repetir, eu desabei. Foi uma emoção muito grande”.
Anonimato e esperança
Por regra, o doador não recebe informações detalhadas sobre o receptor. Ela sabe apenas que o paciente é brasileiro.
“A gente pensa na pessoa que está do outro lado esperando. Eu espero que esteja bem, que tenha saúde. Que isso tenha sido um recomeço”.
Ao final do processo, recebeu uma camiseta simbólica de doadora de medula óssea.
“É uma experiência única. Vou lembrar para sempre com muito carinho”.
Compartilhar para incentivar
De volta à rotina em sua loja de roupas infantis em Ribas do Rio Pardo, ela decidiu compartilhar a própria história para incentivar outras pessoas.
“Doem sangue. Se cadastrem como doadores de medula óssea. É algo que pode mudar completamente a vida de alguém”.
Como se tornar doador
A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue, e o transplante é indicado para pacientes com doenças que afetam essas células.
Para se cadastrar como doador voluntário no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea é necessário:
Ter entre 18 e 35 anos e 9 meses
Não possuir doenças infecciosas ou incapacitantes
Não apresentar doenças neoplásicas, hematológicas ou do sistema imunológico
Quando há compatibilidade com um paciente, o Redome entra em contato com o doador e todo o procedimento é custeado pelo sistema público de saúde.
Em Mato Grosso do Sul, o cadastro pode ser realizado nas unidades da rede Hemosul, em Campo Grande e no interior do Estado.
Segundo a chefe do Setor de Captação do Hemosul, Lucéia Fernandes, dados do Redome indicam que sete pessoas de Mato Grosso do Sul efetivaram a doação de medula óssea apenas em 2024.
“Ao longo dos anos, mais de 100 doadores do nosso Estado já foram compatíveis com pacientes e realizaram a doação, tanto para pessoas no Brasil quanto no exterior”, destaca.
Atualmente, o Estado soma 197.502 cadastros de doadores voluntários registrados entre 2001 e 2025.
“Cada novo cadastro representa uma possibilidade concreta de compatibilidade para quem aguarda um transplante. Por isso, é fundamental manter telefone e endereço sempre atualizados”, reforça.






