Desigualdade Urbana: IBGE revela que milhões de moradores de favelas não têm árvores na rua e sofrem com restrição de acesso a veículos

| Créditos: Fernando Frazão/Agência Brasil


Um suplemento do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que detalhou as características urbanísticas das favelas brasileiras, revelou uma profunda disparidade na infraestrutura e na qualidade ambiental desses assentamentos.

O levantamento aponta que 10,4 milhões de pessoas — o equivalente a 64,6% dos moradores de favelas no país (cerca de dois em cada três) — residem em trechos de vias públicas totalmente desprovidas de árvores. Em contraste, nas áreas urbanas fora das comunidades, a taxa de moradores sem arborização próxima cai para 31%. Especialistas do IBGE destacam a importância da arborização para o conforto térmico e a qualidade de vida.

Além do déficit de áreas verdes, a pesquisa expôs sérias limitações de mobilidade e acesso a serviços:

Acesso a Veículos: Cerca de 3,1 milhões de moradores (19,1% da população em favelas) vivem em vias, como vielas e becos, que não comportam a circulação de veículos grandes, como ambulâncias, carros ou caminhões de lixo. Fora das comunidades, essa limitação atinge apenas 1,4% da população.

Outras Carências: Apenas 62% dos moradores de favelas residem em ruas com capacidade para caminhões e ônibus. O estudo também apontou deficiências na infraestrutura básica, como a presença de calçadas (existentes para 53,9% dos moradores) e de bueiros para escoamento de água da chuva (apenas 45,4% têm o equipamento nas proximidades).

Os dados, que abrangem os 16,4 milhões de habitantes de favelas registrados em 2022, reforçam a tese de que há uma "exclusão histórica" na provisão de equipamentos e serviços públicos nessas regiões, segundo a avaliação do IBGE.

Com informações da Agência Brasil

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