Desigualdade no repasse de fundos partidários provoca atritos e ameaças de desistência em Mato Grosso do Sul

| Créditos: Portal Making of


A distribuição verbas das legendas partidárias para as campanhas eleitorais em Mato Grosso do Sul tem gerado divergências e descontentamento entre os concorrentes aos cargos proporcionais. O repasse irregular dos recursos financeiros, prometidos durante as negociações do período de filiação partidária, desencadeou manifestações públicas de insatisfação e questionamentos sobre a priorização de certas candidaturas.

Dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), candidatas à Assembleia Legislativa expressaram frustração com os montantes repassados até o momento. Adriane Quilombola criticou publicamente o repasse de R$ 10 mil efetuado pelo partido, alegando ser um valor insuficiente para viabilizar uma campanha estadual e indicando a possibilidade de renunciar à disputa caso não haja reforço orçamentário.

Na mesma legenda, os repasses apresentam variações expressivas: enquanto o deputado estadual Zeca do PT recebeu R$ 250 mil para buscar a reeleição, Tiago Botelho obteve R$ 95 mil e Luso Queiroz contou com R$ 23 mil. Queiroz também expressou descontentamento com o montante e reavaliou a continuidade de sua postulação. Integrantes do partido apontam discrepâncias em relação a siglas adversárias, citando como exemplo o Partido Liberal (PL), no qual a candidata Vivi Tobias, mesmo sem mandato prévio, contou com um aporte inicial de R$ 400 mil.

No União Brasil, a liberação de verbas também apresenta disparidades relacionadas ao status das candidaturas perante a Justiça Eleitoral. O postulante à Câmara dos Deputados Carlos Bernardo não teve verbas repassadas até o momento devido a uma contestação formal ao seu pedido de registro. No entanto, outro candidato do mesmo partido, Jerson Domingos, que enfrenta situação jurídica idêntica e aguarda julgamento, já teve autorizada a transferência de R$ 400 mil.

A destinação dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral costuma priorizar nomes com mandatos vigentes e alto potencial de votação, além de apostas estratégicas das lideranças regionais. Essa prática fica evidente nos aportes mais expressivos do PL para o cargo de deputado federal: os deputados em exercício Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira, somados à candidata Mara Caseiro, receberam R$ 1,5 milhão cada. Em contrapartida, candidaturas de menor visibilidade interna na mesma legenda, como a de Cassy Monteiro, receberam R$ 500 mil.

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