Deputado Rodolfo Nogueira diz que nova prisão de Daniel Vorcaro pode revelar rede de influência ligada ao Banco Master

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) afirmou que a nova prisão do executivo Daniel Vorcaro pode revelar uma possível rede de proteção e influência em torno do Banco Master.

Vorcaro foi preso novamente nesta quarta-feira (4), durante mais uma fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o parlamentar, o novo desdobramento da investigação eleva a gravidade do caso e pode apontar para uma estrutura mais ampla de articulações.

“A nova prisão de Daniel Vorcaro, na nova fase da Operação Compliance Zero, eleva o escândalo a outro patamar. As acusações de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos indicam que não se trata apenas de irregularidades financeiras, mas de possível tentativa de intimidação e obstrução. Essa fase pode revelar uma rede mais ampla de proteção e influência, inclusive com desdobramentos institucionais”, declarou.

Rodolfo Nogueira também afirmou considerar “preocupante” que alguns setores tentem minimizar a gravidade das acusações.

“Em um Estado de Direito, ninguém pode estar acima da lei”, acrescentou.

Nova fase da operação

Daniel Vorcaro foi preso em sua residência, em São Paulo, e encaminhado à Superintendência da Polícia Federal. Nesta etapa da Operação Compliance Zero, a investigação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas de informática.

De acordo com apurações publicadas pelos jornais O Globo e CNN Brasil, a nova prisão pode estar relacionada a uma tentativa de obstrução das investigações envolvendo o Banco Master, incluindo suposto planejamento de ações violentas contra testemunhas e outros investigados no inquérito.

Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado, mas foi liberado poucos dias depois para cumprir prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. O telefone celular do empresário permaneceu sob análise da Polícia Federal, e as informações extraídas do aparelho teriam revelado indícios de relações de negócios com integrantes do Supremo Tribunal Federal e familiares.

Repercussões no STF

Durante o andamento da investigação, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso envolvendo o Banco Master após surgirem informações sobre negócios ligados a cotas de investimento em um resort de luxo no interior do Paraná que teriam sido adquiridas por fundos associados ao banco. Com isso, o ministro André Mendonça assumiu a relatoria do processo.

A Polícia Federal também teria identificado conversas entre Vorcaro e o magistrado. O nome de Toffoli já havia sido citado em meio à repercussão pública do caso após uma viagem em jatinho com o advogado do empresário para assistir à final da Copa Libertadores da América, realizada em Lima, no Peru.

Outro ministro mencionado nas discussões relacionadas ao caso foi Alexandre de Moraes. Segundo informações divulgadas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, teria firmado contrato no valor de R$ 129 milhões com o Banco Master.

Ainda de acordo com a colunista, Moraes também teria se encontrado com o presidente do Banco Central do Brasil em um momento em que o Banco de Brasília (BRB) avaliava a compra do Banco Master. O ministro, no entanto, negou qualquer tentativa de interferência nas negociações.

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