Deputado Pedro Kemp repudia demissão de professora após protesto em Campo Grande

O deputado estadual Pedro Kemp (PT) apresentou, nesta semana, uma Moção de Protesto contra a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, em repúdio à demissão da professora e assistente da Educação Infantil Natali Pereira de Oliveira, ocorrida após a participação da servidora em manifestação da categoria na Câmara Municipal de Vereadores.

Natali é presidente do Sindicato dos Servidores Contratados da Administração Pública da Rede Municipal e liderou o protesto que reivindicava melhores condições de trabalho e reajuste salarial para os profissionais da educação. A mobilização ocorreu no dia 3 de fevereiro de 2026 e teve como uma das principais pautas o aumento do salário-base dos contratados, de R$ 1.900 para R$ 2.500.

De acordo com a Moção apresentada por Kemp, a professora atuava há mais de oito anos na Escola Municipal de Educação Infantil do bairro Jardim Noroeste e possuía contrato vigente até abril de 2026. No entanto, no mesmo dia da manifestação, foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Município a rescisão de seu contrato.

Para o parlamentar, a medida configura retaliação ao exercício legítimo do direito de manifestação e à atuação sindical. “Trata-se de um ato abusivo e autoritário, que fere princípios constitucionais, especialmente a liberdade de organização sindical e o direito à livre manifestação. A servidora foi demitida no mesmo dia em que liderou um movimento pacífico e democrático por condições dignas de trabalho”, afirmou Kemp.

O deputado destacou ainda que a atitude da administração municipal gera um efeito intimidatório sobre outros trabalhadores. “Quando o poder público pune quem reivindica direitos, cria-se um ambiente de medo e silenciamento. Isso é incompatível com o Estado Democrático de Direito”, completou.

Repercussão e posicionamento

A Moção de Protesto foi encaminhada à prefeita Adriane Lopes como manifestação formal de repúdio da Assembleia Legislativa ao ato. Entidades sindicais e representantes da educação avaliam que o caso pode abrir precedente perigoso para a repressão de mobilizações de servidores públicos contratados.

Até o momento, a Prefeitura de Campo Grande não se manifestou oficialmente sobre os motivos da rescisão contratual nem sobre a acusação de retaliação levantada pelo parlamentar e pelo sindicato da categoria.

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