Declarações de Flávio Bolsonaro sobre urnas repercutem mal no TSE; pré-candidato nega ataques

Flávio Bolsonaro durante 3º Seminário Nacional de Comunicação do PL | Créditos: CNN Brasil


As declarações do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro sobre o sistema eleitoral brasileiro repercutiram mal no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em nota divulgada na tarde desta quarta-feira (22), o senador negou que tenha questionado o sistema e disse que as falas dele foram descontextualizadas.

Integrantes do TSE temem que o senador adote ataques às urnas brasileiras como um dos principais pontos de campanha, como fez o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, causando desgaste aos ministros. Internamente, há uma defesa de que o TSE se posicione oficialmente sobre as declarações de Flávio.

O senador pediu, durante um encontro com embaixadores estrangeiros, na terça-feira (22), que seus países enviem “a maior quantidade de observadores possíveis” para supervisionar as eleições brasileiras em outubro.

Nesta quarta, Flávio afirmou que nunca questionou a integridade do sistema de votações no Brasil. “Não estou questionando o sistema de eleição brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possível para nossa eleição e pessoas que têm conhecimento sobre essa tecnologia”, declarou na tarde de ontem (21).

Em nota, Flávio e equipe afirmam que a fala foi descontextualizada e que sua pré-campanha tem “integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas”.

Na terça-feira, Flávio também citou um documento da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, e apontou manipulação nas eleições venezuelanas de 2010. “Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, tenha havido uma programação para alteração das votações naquele país nas eleições de 2010”, disse.

“Só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, frisou. Procurado pela reportagem, o TSE encaminhou reportagem feita pela equipe da Corte em 2020 na qual diz que a Smartmatic, que forneceu urnas para a Venezuela, nunca vendeu aparelhos para o Brasil.

Na nota, Flávio alega que “se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa”.

“Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional”, afirma a nota assinada por Flávio, Rogério Marinho, senador e coordenador-geral da pré-campanha, e Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora jurídica da pré-campanha.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DE FLÁVIO:

Não é verdade que o pré-candidato Flávio Bolsonaro tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil. Em sua fala, o pré-candidato se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) o fato originariamente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores); 2) um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas.

Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que “não está questionando o sistema de votação brasileiro” e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional.

Afastada qualquer descontextualização das falas do pré-candidato, sua equipe de pré-campanha reafirma sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas, pois contribuem para o “aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança pública nas eleições”.

Compartilhe: