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Enquanto o Governo do Estado anuncia contenção de gastos e medidas para economizar, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul parece seguir outra lógica: a de investir milhões em um novo plenário e bloco administrativo. O projeto, orçado em até R$ 107,8 milhões, inclui um auditório para 700 pessoas — mais que o dobro da capacidade do atual plenário, que atende 300 desde 1986.
O novo espaço, assinado pelo arquiteto Paulo Delmondes, aposta em um desenho moderno, com curvas e uma cúpula, contrastando com a arquitetura rígida dos prédios do Parque dos Poderes. Só o projeto arquitetônico custou R$ 3,7 milhões, contratado sem licitação, enquanto serviços públicos essenciais seguem enfrentando restrições orçamentárias.
A licitação, que ocorrerá no próximo dia 16, já teve questionamentos de empresas sobre possíveis restrições ao edital, mas mesmo assim a Assembleia segue com a obra milionária. Paralelamente, a Casa de Leis investe R$ 34 milhões em um estacionamento vertical com capacidade para 600 veículos, dos quais 140 já estão disponíveis ao público.
O contraste é evidente: enquanto o Estado anuncia cortes e ajusta suas contas, a Assembleia executa um dos maiores investimentos de sua história. A pergunta que fica é inevitável: se o restante da população sente os impactos da crise financeira, por que o Legislativo parece distante dessa realidade?
Crise? Que crise?







