Crise na Santa Casa se agrava e hospital anuncia restrição de atendimentos pelo SUS em Campo Grande
- porRedação
- 16 de Outubro / 2026
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| Créditos: Foto: Juliano Almeida/Campo Grande News
A intervenção judicial não foi suficiente para solucionar a crise financeira da Santa Casa de Campo Grande. Diante das dificuldades para manter os serviços, a administração provisória anunciou a redução de atendimentos e leitos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), com prioridade para casos de urgência, emergência e especialidades de referência estadual.
As medidas foram anunciadas pelo interventor Luiz Alberto Kanamura, nomeado pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. A restrição começou a ser implementada nesta sexta-feira (16).
Segundo a administração, o hospital enfrenta uma dívida acumulada de aproximadamente R$ 810 milhões, passivo circulante de R$ 180 milhões e déficit mensal estimado em R$ 20 milhões. A instituição também relata falta de medicamentos, materiais e insumos necessários à assistência dos pacientes.
Atendimento será concentrado nos casos mais graves
A proposta é priorizar áreas como politraumatismo, neurocirurgia, neurologia clínica, cardiologia, cirurgia vascular, ortopedia e atendimento a grandes queimados. Os pacientes deverão ser encaminhados pela regulação da rede pública de saúde.
A restrição poderá reduzir significativamente a demanda do pronto-socorro adulto, que recebe, em média, 110 pacientes por dia. A direção também avalia transferir pacientes internados que tenham condições clínicas de continuar o tratamento em outras unidades, dependendo da disponibilidade de vagas.
Impasse financeiro continua
A decisão ocorre após reuniões entre representantes da Santa Casa, da Prefeitura de Campo Grande e do Governo de Mato Grosso do Sul, sem consenso sobre o financiamento necessário para manter a estrutura hospitalar.
O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, e o secretário estadual de Saúde, Maurício Soares Corrêa, participaram das discussões sobre a adequação dos serviços aos recursos disponíveis.
A direção provisória afirma que precisa ajustar o funcionamento do hospital ao orçamento apresentado pelo poder público. Outra possibilidade em avaliação é ampliar a oferta de determinados serviços particulares para reforçar a receita da instituição.
A redução dos atendimentos preocupa diante da importância da Santa Casa para pacientes de Campo Grande e do interior de Mato Grosso do Sul, especialmente nos procedimentos de alta complexidade. A falta de leitos disponíveis em outras unidades também pode dificultar eventuais transferências e aumentar a pressão sobre a rede pública de saúde.






