Consórcio Guaicurus é questionado por manter funcionários em garagem fora da concessão
- porRedação
- 09 de Setembro / 2026
- Leitura: em 7 segundos

| Créditos: Foto: Reprodução/Midiamax
O Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, passou a ser questionado durante a intervenção realizada no sistema após a identificação de funcionários mantidos em uma garagem que não integra os imóveis vinculados à concessão do transporte público.
A empresa está sob intervenção desde junho e tem previsão de receber aproximadamente R$ 87,5 milhões em recursos públicos ao longo de 2026. O montante reúne diferentes formas de repasse e benefícios destinados ao funcionamento do sistema de transporte da Capital.
Segundo informações apresentadas pela equipe responsável pela intervenção, trabalhadores do consórcio estavam alocados em um imóvel localizado no cruzamento das avenidas Tamandaré e Euler de Azevedo, no bairro São Francisco. O local teria ligação com uma empresa pertencente à família Constantino, associada aos controladores do consórcio, mas que não fazia parte da concessão do transporte coletivo.
O interventor-chefe, Aléxandro de Oliveira, informou que a situação foi identificada durante o levantamento realizado na empresa. De acordo com ele, funcionários foram retirados do imóvel e o caso será incluído no relatório que deverá ser encaminhado à Prefeitura de Campo Grande.
A intervenção também apura os impactos financeiros relacionados à manutenção desses trabalhadores no local. Paralelamente, os sócios do consórcio são investigados em procedimentos administrativos e judiciais relacionados a operações financeiras envolvendo empresas ligadas ao grupo.
Entre os fatos apurados está a transferência de aproximadamente R$ 32 milhões para uma empresa que posteriormente teria sido encerrada sem recursos. A operação também foi analisada pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou o Consórcio Guaicurus na Câmara Municipal.
Recursos públicos
Do total estimado de R$ 87,5 milhões que o consórcio deverá receber em 2026, cerca de R$ 28 milhões correspondem ao subsídio concedido pelo município para ajudar a manter o preço da passagem. Outros R$ 10 milhões estão relacionados à renúncia fiscal municipal.
O Governo de Mato Grosso do Sul deverá repassar aproximadamente R$ 15 milhões para subsidiar o passe estudantil. Já outros R$ 34 milhões seriam destinados pelo município para cobrir a diferença entre o valor pago pelos passageiros e a chamada tarifa técnica.
Atualmente, o usuário paga R$ 4,95 pela passagem, enquanto a tarifa técnica considerada para o sistema está em R$ 6,57.
Além dos recursos públicos, a receita do consórcio também inclui a arrecadação com as passagens e outras fontes, como publicidade nos ônibus.
Consórcio contesta irregularidade
Em manifestação sobre o caso, o Consórcio Guaicurus afirmou que a distribuição dos funcionários faz parte de suas atribuições como empresa privada e que não existe irregularidade na alocação dos trabalhadores.
A empresa também questionou a forma como as informações relacionadas à intervenção vêm sendo divulgadas e sustentou que o principal problema do sistema é o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão.
O consórcio declarou ainda que pretende continuar trabalhando para melhorar o serviço oferecido aos usuários do transporte coletivo de Campo Grande.






